Manaus começa a vacinar pessoas de 45 a 49 anos com comorbidades que tenham laudo médico

MONICA PRESTES
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MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - Manaus começou a vacinar pessoas de 45 a 49 anos com comorbidades nesta terça (6) e, para evitar fraudes e os fura-filas, a prefeitura está exigindo a apresentação de laudo médico ou receita para medicação contínua que comprove a doença no ato da vacinação. Neste primeiro momento as doses estão sendo aplicadas apenas pessoas com diabetes, obesidade mórbida (IMC acima de 40) e cardiopatias, que são as principais causas de óbitos entre os pacientes com Covid-19, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Entre as cardiopatias selecionadas para o grupo prioritário estão insuficiência cardíaca, cor pulmonale e hipertensão pulmonar, cardiopatia hipertensiva, síndromes coronarianas, valvopatias, miocardiopatias e pericardiopatias, doenças da aorta e dos grandes vasos, fístulas arteriovenosas, arritmias cardíacas, cardiopatia congênita no adulto, próteses valvares e dispositivos cardíacos implantados. Segundo uma enfermeira que atua na campanha de vacinação, houve quem tentasse receber a vacina mesmo sem pertencer ao grupo prioritário e sem laudo médico. É o caso de um empresário de 51 anos, que é obeso, mas que não se encaixa no critério de obesidade mórbida. Mesmo assim, procurou um posto de vacinação, esperou na fila e saiu de lá sem ser vacinado. "Como teve confusão na primeira fase de vacinação aqui em Manaus e em outros lugares, decidi ir direto no posto e tentar, mas não consegui tomar a vacina. Mandaram eu voltar para casa e retornar quando chegar minha vez", contou o empresário, que não quis se identificar. A professora Silmara Souza, 58, que tem hipertensão arterial resistente (HAR), faz tratamento para a doença há cerca de um ano. Apesar de ter laudo médico que comprove sua comorbidade, a HAR não faz parte das doenças pré-existentes que estão sendo priorizadas nesta fase da vacinação e, por isso, ela também não conseguiu receber a dose. "Quando anunciaram que iriam vacinar as pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades, pedi para o meu médico um laudo e corri fazer o cadastro. Foi quando descobri que o meu problema de saúde não me garante o direito à vacina. Pior é que agora temos que esperar todas as pessoas até 18 anos serem vacinadas para só depois ampliarem para os outros grupos. Ou seja, não tem previsão", diz. Até esta terça (6) a Prefeitura de Manaus havia vacinado 17.677 pessoas nessa faixa etária portadoras de comorbidades. Uma delas é a cozinheira autônoma Dalvani Silva Guimarães, 54, que tem hipertensão e diabetes há três anos e tomou a vacina no último sábado (3). Ela foi diagnosticada com Covid-19 em setembro e fez o cadastro no site da prefeitura assim que a vacinação do grupo prioritário foi anunciada. "Tanto no cadastro quanto no posto foi pedida a receita da última visita ao médico. Foram informados no site a data e local da vacinação e também da segunda dose, que está marcada para 30 de abril", conta. O jornalista Gerson Severo Oliveira Dantas, 54, que tem obesidade grau 3, com IMC de 41, também precisou apresentar um documento que comprovasse a doença para receber a primeira dose da Coronavac, no sábado (3). No caso dele, os vacinadores foram mais rígidos: exigiram original e cópia do laudo médico. "Na hora da vacinação foi pedido o laudo comprovando a comorbidade. Pediram original e cópia, ficaram com a cópia e anotaram meu telefone nela, anotaram também o dia da vacinação, tipo de vacina e a data prevista para a segunda dose no meu laudo", diz ele. A prefeitura não tem estimativa de quantas pessoas devem ser imunizadas na atual fase da campanha. A Secretaria Municipal de Saúde informou que foram destinados 23 mil imunizantes para a aplicação da primeira dose no público de 50 a 59 anos portador dessas três comorbidades. A vacinação de pessoas de 45 a 49 anos está sendo realizada com doses remanescentes remanejadas de outros grupos prioritários e deve ser ampliada para outras faixas etárias com a chegada de novas doses a serem enviadas pelo Ministério da Saúde. O novo cronograma deve ser anunciado até o fim desta semana, segundo a prefeitura. A secretária municipal de Saúde interina de Manaus, Aline Rosa Martins, explica que a orientação é para que a população realize o cadastro no site Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br) para reduzir o tempo de espera nos postos de vacinação e facilitar o trabalho dos vacinadores. Quem deseja se cadastrar mas não tem acesso à internet pode procurar uma Unidade Básica de Saúde para realizar o cadastro prévio. O cadastro, no entanto, não é obrigatório. "Aqueles que ainda não têm cadastro podem registrar seus dados no link, na opção 'Comorbidades' e aguardar o agendamento automático ou procurar o posto mais próximo com os documentos obrigatórios", diz. "Alguns têm informado serem portadores de uma doença no sistema e apresentado laudo de outra no posto, o que inviabiliza a vacinação." Segundo a prefeitura, os diabéticos que não têm laudo podem apresentar a receita médica em papel timbrado oficial do SUS ou da rede privada de saúde. No caso de obesidade grave com IMC igual ou maior que 40, o usuário pode comprovar a condição por meio de declaração emitida por médico ou qualquer profissional de saúde de nível superior (enfermeiro, nutricionista, educador físico, farmacêutico ou outro). A vacinação está ocorrendo em sete postos na capital, que funcionam com pontos fixos e drive-thru, das 9h às 16h. A prefeitura também informou que, até esta terça (6), não recebeu nenhuma denúncia sobre irregularidades ou fraudes na atual fase da vacinação.