Manaus reabre academias e serviços não essenciais; taxa de ocupação de UTIs é de quase 90%

Redação Notícias
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Family members of patients hospitalized with COVID-19 line up with empty oxygen tanks in an attempt to refill them, outside the Nitron da Amazonia company, in Manaus, Amazonas state, Brazil, Friday, Jan. 15, 2021. (AP Photo/Edmar Barros)
Familiares de pacientes internados com COVID-19 fazem fila com tanques de oxigênio vazios na tentativa de reabastecê-los, fora da empresa Nitron da Amazonia, em Manaus, estado do Amazonas, Brasil, sexta-feira, 15 de janeiro de 2021 (Foto: AP Photo / Edmar Barros)<

Com taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para Covid-19 em 88%, a Prefeitura de Manaus, capital do Amazonas, reabriu academias e servições não essenciais. A cidade ainda registra 100 pacientes na fila por uma vaga em leitos de hospitais públicos. 

A administração do prefeito David Almeida (Avante) vem relaxando as medidas de restrição e a capital do Amazonas reabriu o comércio em geral, shoppings e restaurante na semana passada. Na última segunda-feira (1º), também autorizou o funcionamento de academias em horário reduzido, de 6h às 11h, e metade da lotação máxima. 

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Segundo o decreto, também foram liberados serviços de beleza em domicílio, obras de reparo e manutenção em prédios, o funcionamento das indústrias e da construção civil.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a cidade já voltou à rotina de movimentação pelas ruas, sobretudo nas regiões com comércio. Há, inclusive, o descumprimento de protocolos sanitários como no transporte público, com pessoas com máscara embaixo do nariz e aglomerações nas paradas e dentro dos ônibus.

Em janeiro, o estado do Amazonas viveu um colapso na saúde com falta de oxigênio para pacientes. No dia 14 daquele mês, com hospitais lotados e falta de oxigênio hospitalar, o governador Wilson Lima (PSC) assinou um decreto impondo medidas como toque de recolher, menos severas que o lockdown.

"Não há escapatória no momento"

À época, o médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta, já havia alertado em entrevista ao Yahoo! Notícias que nem a prioridade em vacinação ajudaria Manus. Segundo o médico, era preciso tomar medidas duras de restrição como o lockdown, para tentar frear a transmissão descontrolada do vírus no estado.

“Manaus precisa de um rigoroso e absoluto lockdown, não há escapatória nesse momento. A única forma é garantir isolamento de modo determinado. Não é uma opção, caso contrário muitas mortes mais virão. Essa é uma responsabilidade das autoridades públicas, que se não tomarem atitude, estarão prevaricando (faltar ao cumprimento do dever por interesse ou má-fé)". 

Dados da Secretaria de Saúde do Amazonas, contabilizados até quinta-feira (4), mostram que 319.872 estão infectadas com a Covid-19 no estado e 11.172 morreram devido ao coronavírus. 

Procuradas pela reportagem, tanto a admnistração municipal quanto estadual não se manifestaram sobre a flexibilização das medidas sanitárias.