Mancha Verde é a campeã do Carnaval em São Paulo

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.04.2022 - Mancha Verde no primeiro dia de desfiles das escolas de samba do grupo especial no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.04.2022 - Mancha Verde no primeiro dia de desfiles das escolas de samba do grupo especial no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Mancha Verde conquistou o título do Grupo Especial do Carnaval 2022 em São Paulo após apuração de notas realizada na tarde desta terça-feira (26), no Anhembi. Com o samba-enredo "Planeta Água", a escola faz referência a Iemanjá, que nas religiões de matrizes africanas é a orixá das águas salgadas.

"Iemanjá! Iê-Iemanjá! / Rainha das ondas, senhora do mar! / Iemanjá! Iê-Iemanjá! / No azul dos teus mistérios eu também quero morar", diz o refrão, fazendo uma saudação a orixá.

Antes do início da apuração os representantes das escolas fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos integrantes que morreram durante a pandemia de Covid-19. Por causa da crise sanitária, o desfile de 2021 foi cancelado e o deste ano acabou adiado de fevereiro para o feriado de Tiradentes.

O presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, chorou ao comentar o trabalho de criação do desfile nesses dois últimos anos sem Carnaval. Ele também homenageou os mortos que faziam parte da escola e disse que o grupo distribuiu toneladas de mantimentos e cestas básicas em favelas de São Paulo durante a pandemia.

A agremiação conquistou seu primeiro título no Grupo Especial no Carnaval de 2019, quando apresentou o samba-enredo "Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra", onde contou a história da princesa africana Aqualtune, e, por meio dela, discutiu escravidão, intolerância religiosa e direitos humanos.

No último Carnaval, em 2020, a escola esteve perto do título, terminando a apuração como vice-campeã.

A disputa este ano também foi emocionante, com quatro agremiações terminando a disputa empatadas —a Mancha só levou o título pelos critérios de desempate. A Mocidade Alegre terminou em 2º lugar, seguida pelo Império da Casa Verde e pela Tom Maior.

Na lanterna, ficou a Vai-Vai, que perdeu pontuação significativa nos quesitos fantasia e mestre-sala e porta-bandeira. Com isso, a escola, maior campeã da história do Carnaval paulistano, terá que disputar o Grupo de Acesso em 2023. A Colorado do Brás também foi rebaixada.

A Estrela do Terceiro Milênio venceu a disputa do Grupo de Acesso e, no ano que vem, estará no Grupo Especial. Segunda colocada, a Independente Tricolor também foi promovida.

Depois de dois anos de espera, o desfile do Grupo Especial de São Paulo aconteceram na última sexta (22) e sábado (23), no Sambódromo do Anhembi. No total, foram 14 escolas, sete por noite —a Mancha foi a terceira a entrar na avenida no primeiro dia.

A volta das escolas ficou marcada por uma mistura de lágrimas, ansiedade e a alegria. Na primeira noite dos desfiles, as arquibancadas laterais estavam mais vazias do que em anos anteriores, mas isso não tirou o sorriso do rosto de quem estava no Anhembi. A noite também foi marcada por atrasos e falhas técnicas.

A Acadêmicos do Tucuruvi, primeira escola a ocupar a avenida, deveria ter entrado às 22h30, mas só iniciou sua evolução quase às 23h. A Mancha também demorou um pouco mais que o previsto seu desfile, começando sete minutos depois da hora marcada.

Desfilando pela primeira vez na avenida, Yasmin Louise Benício Souza, 18, integrou uma das alas da Tucuruvi, e não escondeu a emoção. "Passou muito rápido, a melhor sensação da minha vida e, com certeza, virei nos próximos anos."

Após o desfile da Tom Maior, quarta agremiação a ocupar o sambódromo, foi observado que havia vazado óleo na avenida. Por causa disso, uma equipe da prefeitura precisou limpar a pista, atrasando em cerca de uma hora a entrada da Unidos de Vila Maria.

Penúltima a desfilar, a Acadêmicos do Tatuapé também não ficou livre de problemas. O segundo carro quebrou assim que entrou na avenida, já com o sol raiando.

Apesar dos contratempos, a primeira noite foi marcada por homenagens ao próprio Carnaval e mensagens de esperança. A Acadêmicos do Tatuapé espalhou cheiro de incenso pela avenida.

Nesta primeira noite também desfilaram Colorado do Brás, Unidos de Vila Maria e Dragões da Real.

Já na segunda noite, o sambódromo estava bem mais cheio do que na véspera. Os desfiles foram marcados por um tom político, com críticas ao governo federal, e referências religiosas.

A crítica mais explícita à gestão de Jair Bolsonaro (PL) foi feita pela sexta escola a entrar na avenida, a Rosas de Ouro. O último carro da agremiação mostrou um sósia do presidente que se "transformou" em um jacaré, referência a um pronunciamento feito por ele sobre a vacinação contra a Covid-19.

Quando uma enfermeira aplicou uma injeção no "presidente", um efeito de fumaça foi feito sobre ele, uma porta secreta girou e um jacaré apareceu.

Parte do público, motivado pelo protesto artístico, aplaudiu e passou a gritar "Fora, Bolsonaro".

A Gaviões da Fiel, segunda escola a desfilar, também fez uma crítica ao governo, mas de forma mais velada.

O hair designer Neandro Ferreira, 55, desfilou usando terno e uma faixa semelhante às usadas por presidentes. Ao lado dele, uma componente da escola, de terninho e saia, também usava uma faixa.

Ferreira estava em uma ala com integrantes representando militares, armados com fuzis. O enredo da Gaviões, "Basta", falava da luta contra o racismo, o fascismo e as opressões.

Antes do Carnaval, Ferreira disse que desfilaria como um "Bolsonaro Gay". Mas após a repercussão da entrevista e de acusações de homofobia na internet, a Gaviões disse que o personagem que seria interpretado por ele seria um "governante fascista qualquer".

Tanto a Gaviões quanto a Rosas de Ouro começaram bem na apuração, mas perderam fôlego em quesitos como alegoria e evolução. Elas terminaram respectivamente em 8º e 9º lugares.

Também no segundo dia, a Mocidade Alegre abordou questões raciais e homenageou a sambista Clementina de Jesus. Estiveram ainda na avenida a a Vai-Vai, a Águia de Ouro, a Barroca Zona Sul e o Império de Casa Verde, que contou a história da comunicação.

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