Donos das boladas: vocês compram clubes, mas não as torcidas

Mauro Beting
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A frase lendária do não menos treinador do United FOTO Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images

Irmãos Joel e Avram Gleizer, tudo bem?

Então, eu sei que o pai de vocês comprou o Manchester United em 2005 por 800 milhões de libras. Eu não sei quanto isso vale hoje. E então. Mas sei que não tem preço. Tem valor.

Então... Não torço pelos Red Devils. Nem distorço. Como não torço por nenhum supermercado. Metalúrgica. Qualquer empresa. Nem as em que trabalho. Quero apenas o melhor delas. E das que estão no nosso mercado. Para que todo mundo possa crescer. Melhorar.

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Sem cartel. Sem quartelada de cartel como vocês tentaram na natimorta Super Desliga.

Vocês irmãos e o seu pai Malcolm, falecido em 2014, ganharam cinco Ligas pelo United. Uma Champions (e mais duas finais perdidas). Uma Copa da Inglaterra. Quatro Copas da Liga. Uma Europa League. Podem agora ganhar outra.

E perderam o já pouco carinho que tinham com a torcida desrespeitando e brincando de negócio com algo muito sério. Sei que esse negócio de futebol é hoje muito mais negócio do que futebol. É o nosso tempo. Como na Tampa onde vocês compraram os Bucaneers da NFL em 1995. Fizeram um belo Museu do Brinquedo na Flórida. E tantos negócios, de casas a Harley-Davidson. De óleo e gás a proteína de peixe.

Mas o Manchester United não é seu brinquedinho britânico. Não é brincadeira. É uma história que começou como Newton Heath em 1878. Ganhou o nome atual em 1902. E não pode se perder como um joguinho nas suas mãos. Mesmo que tão ricas, não necessariamente sábias.

Se o negócio não está legal, podem vender. Vocês sabem muito mais disso do que eu e de que milhões de torcedores pelo mundo.

Mas lembrem (que eu sei que vocês sabem) que vocês podem comprar um clube. Mas não os seus torcedores.

Amor não tem preço. Tem valor.