Mandetta defende isolamento e pede calma com cloroquina

Luiz Henrique Mandetta durante coletiva no dia 25 de março de 2020 (Andressa Anholete/Getty Images)

Em coletiva na tarde deste sábado (28), em que o Ministério da Saúde atualizou os números do novo coronavírus no Brasil, o ministro Luiz Henrique Mandetta fez um balanço dos 30 primeiros dias de combate à pandemia e pediu bastante calma com a hidroxicloroquina, remédio que tem sido tratado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem tomado como a salvação do problema.

“Cloroquina não é um medicamento que veio salvar a humanidade. É um estudo ainda incipiente. Existe uma pesquisa. Esse medicamento, se tomado de forma errada, pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar o fígado. Podemos ter mais mortes por mau uso de medicamento do que pela própria virose”, afirmou o ministro.

Mandetta disse que o ministério tem dado apoio a um grupo que pesquisa sobre os efeitos da medicação contra o coronavírus, mas que hospitais foram permitidos a utilizar o remédio em casos graves de Covid-19. Em casos iniciais de gripe, o ministro ressaltou que não deve ser usado por causa dos efeitos colaterais pesados.

Sobre o isolamento social, Mandetta defendeu que não existe quarentena vertical ou horizontal, mas que é necessário conversar com governadores e secretários estaduais de saúde para entender melhor as situações e tomar as decisões de isolamento de forma conjunta.

Durante a coletiva, o Ministério da Saúde atualizou para 111 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus, além de 3.904 casos. São nove mortes e quase 500 casos confirmados a mais em relação aos números divulgados na sexta.

Confira algumas das falas do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta:

  • Diferença entre H1N1 e coronavírus

“Está cheio de fazedores de contas, de cálculos. A epidemia de H1N1 foi diferente, eu também enfrentei, tomei providências. Mas havia medicamento que todo mundo tinha à mão, existia perspectiva de vacina. Não há receita de bolo. Quem achar que é igual vai errar feio. Essa epidemia [de coronavírus] não é assim, não causou uma letalidade pro indivíduo, não é esse o nosso problema. Ah, só vai matar 5 mil, 10 mil, não é essa a conta. É um vírus que ataca o sistema de saúde, a sociedade como um todo. Logística, educação, uma série de estruturas no mundo. Não adianta pensar na sua estrutura municipal.”

  • Briga entre economia e saúde

“A saúde não é uma ilha. A economia é, sim, muito importante, pra saúde. Colocamos em discussão como serão as quarentenas porque a última vez que teve quarentena no Brasil foi em 1917, com a gripe espanhola. Ninguém tem esse parâmetro. Não é questão de apontar o dedo para o governador A, B ou C ou para o prefeito A, B ou C. A medida que tem que ser muito bem elaborada. Tem que garantir alimentos nas comunidades. A geladeira fica vazia. Se não tiver logística, como vai chegar alimento no supermercado? Vamos colocar, sim, alguns critérios necessários. Não vai ser o plano do ministro Mandetta, único. O SUS, vamos andar com as três pernas [União, estados e municípios]. Por isso, estamos discutindo com secretários municipais e estaduais pra chegar a um consenso. Vamos medir todo dia, onde a gente ver que pode estar perdendo a guerra, aperta. Juntos, vamos acertar, errar, dias bons, dias ruins. Estamos entendendo o tamanho do dano. Não no indivíduo, com certeza vamos ter muitas perdas. Vamos olhar pra trás e dizer: foi muito duro. Mas todo dia nasce gente, graças a Deus. É o ciclo da vida. Vamos poupar a vida de todos que pudermos. Ah, o ministro sai, não sai. Volto a repetir: vou ficar aqui enquanto o presidente permitir. Tem um quarto ali, se o povo tiver gripe, vamos ficar no quartinho ali, feito uma quarentena.”

  • Hidroxicloroquina

“Cloroquina não é um medicamento que veio salvar a humanidade. É um estudo ainda incipiente. Existe uma pesquisa. Esse medicamento, se tomado de forma errada, pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar o fígado. Podemos ter mais mortes por mau uso de medicamento do que pela própria virose.”

  • Crítica ao jornalismo

“O mundo sairá dessa sem vencedor, sem perdedor, mas reflexivo. Estamos no meio da quaresma, senhores cristãos, é um dever bíblico fazermos o melhor pra esse momento. Não temos todas as respostas. Podemos ser acusados no futuro de termos sobredimensionado ou subdimensionado a situação, podemos ser tachados de incompetentes, sabemos da nossa responsabilidade e não corremos dela. Vamos ficar juntos. Pedimos à sociedade: comporte-se. A primeira lei é a do bom senso. Desliguem um pouco a televisão. Reuna a sua família e converse. Se acalmem e vamos juntos”.

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