Mandetta diz que busca 'esforço comum' com China para conseguir respiradores e outros equipamentos

Renata Mariz, André de Souza e Leandro Prazeres
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta 06/04/2020

O ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, afirmou que após reunião por telefone com embaixador da China nesta terça-feira terá início um "esforço comum" para agilizar a remessa de encomendas de equipamentos do país asiático. Ele evitou dizer que se trata de uma "parceria". A embaixada vem pedindo retratações públicas sobre postagens consideradas ofensivas ao país feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

- Iniciaremos um trabalho conjunto com o ministro adjunto, encarregado de negócios, para que cada compra que formos fazer garantirmos mais transparência, solidez, informações a respeito - disse Mandetta, acrescentando:

- A gente sabe a importância, não digo parceria, mas desse esforço comum entre Brasil e China.

O ministro afirmou que espera concretizar uma compra de R$ 1 bilhão em respiradores da China, mas tratou a aquisição ainda como "uma possibilidade". A escassez dos equipamentos é hoje um dos maiores gargalos do Brasil para enfrentar a crise da Covid-19.

- Ainda temos problemas sérios em relação a respiradores. Não temos ainda ao certo se a compra empenhada, contratada... Precisamos agora a precisão de entrega do fornecedor que assinou. E estamos procurando outras possibilidades no mercado interno e mercado externo - afirmou Mandetta.

Segundo interlocutores, a conversa com a embaixada da China, nesta terça-feira, foi marcada por cobranças em torno de uma desculpa formal do governo. Mandetta teria ouvido que os chineses o admiram, apoiam seu trabalho, mas que o governo do presidente Jair Bolsonaro não tem se mostrado amistoso com o povo chinês.

Mandetta afirmou que já foram distribuídos, no total, mais de 53 milhões de equipamentos de proteção individual (EPIs) a estados e municípios. Ele afirmou que planeja ter disponível mais 40 milhões de itens a partir de sexta-feira para distribuir.

O ministro também disse que já foram enviados aos estados 135 mil testes do tipo RT-PCR, que são mais precisos. A previsão é que outros 300 mil cheguem nesta semana. Segundo ele, na quarta-feira vão chegar ainda 1 milhão de testes rápidos, que são menos precisos, mas mais fáceis de testar e serão destinados aos profissionais de saúde.