Mandetta não aceita pedido de demissão de Wanderson, secretário de Vigilância em Saúde

João Conrado Kneipp
·3 minuto de leitura
BRASILIA, BRAZIL - MARCH 16: Health Surveillance Secretary, Wanderson Kleber de Oliveira speaks during a press conference to Give Updates about the Coronavirus (COVID-19) Outbreak in Brazil on March 16, 2020 in Brasilia, Brazil. (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
Wanderson afirmou que chegou a enviar um comunicado interno, mas que permanecerá no cargo. (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que não aceitou o pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, feito na manhã desta quarta-feira (15). Questionado o porquê do pedido demissão, Wanderson justificou: “estamos muito cansados”, deixando clara a relação desgastada entre ministério e presidente Jair Bolsonaro.

“Estamos aqui eu, Wanderson e Gabbardo (João Gabbardo - secretário-executivo do ministério). Entramos no ministério juntos, estamos no ministério juntos e sairemos do ministério juntos”, declarou Mandetta. A declaração de que Wanderson permanece no cargo foi dada durante a abertura da coletiva de imprensa com a atualização dos casos do novo coronavírus no Brasil.

Leia também

A notícia do pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde veio através de uma carta entregue por ele mesmo a seus subordinados e confirmada posteriormente em nota oficial do ministério. O pedido de saída, não aceito por Mandetta, acontece em meio aos rumores de demissão do próprio ministro.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

O ministro afiliado ao DEM afirmou que chegou a receber a carta de demissão de Wanderson e que “mandou devolver do jeito que chegou”, mas que mesmo assim a notícia gerou ruído.

“Hoje teve muito ruído por causa do Wanderson, por conta de toda essa ambiência. O Wanderson falou que já mandou para setor dele uma carta dizendo que ai sair. Aquilo (a carta) chegou pra mim, eu já falei que não aceito e mandei devolver do jeito que chegou. Não aceito, estamos todos juntos e misturados ainda”, declarou.

Wanderson, que foi citado por Mandetta como “meu secretário de Vigilância em Saúde”, reforçou sua permanência, ressaltando que não tinha intenção de que a carta interna viesse a público. “Estou com Mandetta até o final deste trabalho. E acreditamos que podemos salvar o maior numero de vidas possíveis”.

Ao fim da coletiva, o secretário foi perguntado da razão de ter colocado o cargo à disposição, e respondeu que ele e sua equipe estão “cansados”. No complemento, deu a entender que a relação desgastada entre equipe ministerial e Planalto corre por semanas.

“Estamos muito cansados, muito cansados. Não pedi demissão para o ministro, mandei a mensagem para minha equipe. Esse processo (de suposta saída) vem sendo discutido há várias semanas. Não teve um motivo muito específico”, complementou ele.

MORTES E CASOS NO BRASIL

O Ministério da Saúde atualizou para 1.736 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil nesta quarta-feira (15). Ao todo, também foram confirmados 28.320 casos da Covid-19 no país. A taxa de letalidade do vírus é de 6,1%.

Foram registradas 202 novas mortes nas últimas 24 horas, além de 3.058 casos novos. No balanço divulgado na terça-feira (14), o Brasil contabilizava 1.532 mortes e 25.262 casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.