Mandetta nega orientação para pacientes com covid não procurarem hospital: "Guerra de narrativas"

Anita Efraim
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After reports that would leave office leave office, Brazil's Minister of Health Luiz Henrique Mandetta reacts during a press conference, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil April 15, 2020.  (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta depõe na CPI da Covid nesta terça-feira (4) (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
  • Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta nega orientação para pacientes com covid-19 não procurarem hospitais

  • Mandetta alega que sugestão foi feita apenas quando não havia casos de covid-19 no Brasil

  • Argumento contra Mandetta é usado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta negou que tenha orientado pacientes com covid-19 a não procurarem hospitais. Ele foi questionado sobre o assunto pelo relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL)

"Nós estávamos no mês de janeiro, no mês de fevereiro, não havia um caso registrado dentro do país. O que havia eram pessoas com sensação de pânico (...) e as pessoas procuravam hospitais com a intenção de fazer testes", explicou. "Nos só fizemos transmissão comunitária em 24 de março."

Luiz Henrique Mandetta deixou o cargo cerca de um mês depois do registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil. Em 16 de abril, o então ministro anunciou que havia sido demitido do cargo. 

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O argumento de que Mandetta orientou pacientes a não procurarem hospitais tem sido usada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Eu tenho visto essa máxima ser repetida e acho que é mais uma guerra de narrativas", disse o ex-ministro da Saúde. 

Mandetta ainda afirmou que, no início da pandemia, eram disseminadas informações controversas. "Nós combatíamos naquela época a narrativa que cidades quentes, tropicais, não teriam problema. Eu alertava Manaus, Cuiabá, eu alertava que isso não era verdade. Tinha a teoria de isolamento vertical, e não era verdade", pontuou. O chamado "isolamento vertical" pregava que apenas pessoas idosos e com comorbidades ficassem em isolamento e era usada pelo presidente Bolsonaro. 

"Todas as nossas orientações foram assertivas, pela ciência, tivemos todas as nossas afirmações confirmadas ao decorrer da doença", defendeu-se o ex-ministro da Saúde. 

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.