Mandetta reclama da paralisação de algumas atividades em razão do novo coronavírus

André de Souza e Gustavo Maia
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta se reuniiu com prefeito para falar sobre as restrições durante a pandemia

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a reclamar nesta segunda-feira da extensão das paralisações de atividades que estão ocorrendo em algumas cidades do Brasil. Essas medidas restritivas foram adotadas por governadores e prefeitos para evitar o contágio pelo novo coronavírus, que, segundo o último boletim do Ministério da Saúde, já matou 34 pessoas e contaminou 1.891.

— Calma, planejemos. Há lugares que pararam tanto que não havia mecânicos para arrumar os equipamentos hospitalares. A vida não se resume a uma doença, a um vírus. As pessoas continuam tendo problemas cardíacos, apendicite, as pessoas continuam precisando de acesso — disse Mandetta.

No domingo, ele já havia criticado medidas impostas pelas administrações municipais para conter o avanço do novo coronavírus. Segundo Mandetta, as ações não podem ser rígidas a ponto de interferir na prestação de serviços essenciais.

— Vimos muitas tomadas de decisões em âmbitos municipais que não guardam nenhuma correlação com o momento que a cidade está passando. Vimos prefeitos que falaram: "Vou interromper o sistema de ônibus". Aí os profissionais de saúde não conseguiram chegar. Vimos alguns lugares: "Interrompa, faz quarentena". Mas a fábrica que faz o ventilador não consegue que o trabalhador chegue — disse o ministro no domingo.

Nesta segunda-feira, o ministro afirmou que a produção de ventiladores para UTI, usados no tratamento dos casos mais graves, está crescendo e já chega à marca de 300 a 400 por semana. Disse ainda que a distribuição de produtos aos estados está ocorrendo dentro do planejado.

Mais cedo, Mandetta e o presidente Jair Bolsonaro participaram de duas videoconferências com os governadores do Nordeste e depois do Norte. Bolsonaro pediu cooperação e entendimento, afirmando que eles têm um inimigo em comum, o vírus, que tem como efeito colateral o desemprego.

O ministro da Casa Civil, Braga Netto, afirmou que um comitê de operações estará funcionando plenamente na terça-feira. Ele terá contato direto com os estados e municípios para discutir questões de logística.