Mangue recuperado: biólogo Mario Moscatelli mostra resultado de trabalho iniciado há 20 anos na Barra

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RIO — Voz que denuncia a degradação das lagoas da Barra da Tijuca e da Baía de Guanabara há mais de três décadas, o biólogo Mario Moscatelli, conhecido em toda a cidade por cobrar com veemência ações do poder público, está comemorando uma conquista pessoal: o ressurgimento do manguezal ao redor da ilha do Marina Barra Clube, na Lagoa da Tijuca. Ele conta que no início dos anos 2000 plantou mudas de mangues branco, negro e vermelho no local, com a ajuda de suas duas filhas, ainda pequenas. Assim como as crianças, observa, o manguezal cresceu, e já tem entre seis e oito metros de altura, o que o torna eficiente no combate à degradação do curso d’água.

— Onde não havia nada, hoje existem franjas de manguezal plenamente desenvolvidas ou em acentuado desenvolvimento. Apesar da degradação ainda existente, associada com a presença de esgoto e lixo, a biodiversidade ganha e há a expectativa de dias melhores. É um espetáculo que a cada dia se intensifica — orgulha-se.

Moscatelli explica que o plantio, em 2004, foi realizado em áreas de aterros ou de pedra e cimento. Ele teve a ideia quando o presidente do Marina o procurou preocupado com a erosão nas margens da ilha do clube, causada pela passagem de embarcações.

— Sugeri o plantio, que evitaria o agravamento da erosão e ainda melhoraria a paisagem, além de colaborar para a biodiversidade da Lagoa da Tijuca — conta.

Logo em seguida, na construção do Barra Private, próximo ao Marina, a área que era aterrada e usada como estacionamento também recebeu mudas, para a recuperação da faixa marginal de proteção:

— Fui chamado para criar condições para a recuperação do manguezal, que tinha sido suprimido.

Moscatelli recorda que, por conta própria, também fez plantios na mureta do Canal da Joatinga. Garante que em alguns anos será possível ver uma nova franja de manguezal na entrada da Barra.

— Além de ajudarem na biodiversidade e na manutenção da zona costeira e terem valor paisagístico, os manguezais são como supermercado e maternidade para peixes, crustáceos e uma variada fauna marinha. Também sequestram e armazenam carbono — explica.

De acordo com o biólogo, os manguezais sequestram quatro vezes mais carbono do que qualquer outro tipo de floresta e armazenam a substância dez vezes mais. Daí sua importância:

— O carbono faz mal à saúde, compromete o sistema respiratório do ser humano.

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