Manifestações de caminhoneiros acendem alerta entre aliados de Lula

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As manifestações de caminhoneiros que ocorrem pelo país após a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acenderam um sinal de alerta na equipe do petista.

Caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram na noite deste domingo (30) bloqueios em estradas em protesto contra o resultado das eleições. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) confirmou terem sido registrados até esta segunda 140 bloqueios ou aglomerações em vias de 18 estados e do Distrito Federal (veja o balanço aqui).

A avaliação de aliados é a de que se trata de um movimento político contrário a Lula. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que isso "prejudica o país e o povo" e criticou a atuação da PRF no domingo.

No dia da votação, operações nas estradas feitas pela PRF podem ter causado atraso na votação e foram alvo de medidas do TSE (Superior Tribunal Eleitoral).

"Esse movimento de caminhões paralisando estradas, eminentemente político, prejudica o país e o povo. As autoridades estaduais e nacionais têm de tomar providências urgente. Será a PRF tão rápida para resolver esse bloqueio como foi para parar eleitores no Nordeste?", escreveu a parlamentar nesta segunda (31) nas redes sociais.

A PRF afirmou ter acionado a AGU (Advocacia-Geral da União) para tentar medida judicial que impeça a ocupação de estradas federais e defende em nota que, desde o início dos bloqueios, "adotou todas as providências para o retorno da normalidade dos fluxos", direcionando equipes para os locais e iniciando negociações.

Mas disse que tenta usar o diálogo para garantir, "além do trânsito livre e seguro, o direito de manifestação dos cidadãos". Com o recurso à Justiça, a PRF quer uma medida que impeça os manifestantes de interromperem o fluxo de veículos.

A estratégia dos colaboradores de Lula é ressaltar que essa paralisação traz prejuízos à população, uma vez que pode gerar aumento do custo de alimentos, além de transtornos ao tráfego.

Um aliado do presidente eleito diz, sob reserva, que não há uma agenda que justifique os protestos —até mesmo porque o petista ainda não assumiu o cargo