Manifestações contra e a favor das touradas em França

Cinco dias antes de a Assembleia Nacional francesa debater um projeto de lei que visa abolir as touradas manifestantes a favor e contra realizaram protestos em diferentes regiões de França.

É a primeira vez que o parlamento francês vota a proibição desta prática tradicional.

Os manifestantes anti touradas recordaram que o abuso de animais é um crime registado no código penal francês, que pode ser punido com até 5 anos de prisão.

Em Nice, uma manifestante diz que não há nada que justifique as touradas e o que é mais irritante, refere, é que a maioria dos franceses é contra e, infelizmente, os deputados não ouvem".

Os que apoiam as touradas dizem defender o património e a cultura e evocam ainda a economia que circula em torno destes eventos, muito populares em cidades como Nimes. Segundo o jornal LaDepeche.fr as touradas são "uma locomotiva da economia da França Meridional".

Um adepto diz: "Queremos viver o nosso modo de vida, a nossa cultura, e não queremos que o nosso modo de vida seja ditado por pessoas que não conhecem a nossa cultura".

É pouco provável que a lei venha a mudar. A iniciativa legislativa é da aliança de esquerda NUPES, que detém 151 dos 577 lugares da assembleia e necessitaria do apoio de outras forças políticas.

O partido do governo, com 266 deputados, já avançou que votará contra por se tratar de uma tradição muito popular em algumas regiões do país.

A história das touradas em França teve vários altos e baixos. Durante parte do século XIX foram proibidas, até que em meados desse século foram reintroduzidas com chegada da espanhola Eugenia de Montijo, esposa de Napoleão III.

Proibidas, de novo, mais tarde, só foram novamente autorizadas a partir de 1951.