Manifestações de domingo no Sudão deixam dois mortos e denúncias de estupro

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Sudaneses protestam para lembrar os três anos das manifestações multitudinárias que levaram à deposição do homem forte sudanês, Omar Al Bashir, perto do palácio presidencial, em Cartul, 19 de dezembro de 2021 (AFP/-)

Uma segunda pessoa morreu baleada nas manifestações de domingo contra o poder militar no Sudão, informaram nesta terça-feira (21) fontes médicas, enquanto o governo informou que duas mulheres foram violentadas na capital.

As forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo e fizeram disparos para o alto com munição real para tentar dispersar as centenas de milhares de sudaneses que reivindicavam um poder civil e democrático, denunciando o golpe de Estado de 25 de outubro de Abdel Fattah Al Burhan, o general que reforçou recentemente o controle do exército no país.

Nesta terça, um sindicato de médicos pró-democracia anunciou a morte com um tiro na cabeça de um jovem de 28 anos, Mohamad Ali, em uma cidade ao norte de Cartum. Na segunda, fontes médicas informaram que os protestos haviam deixado um morto e 125 feridos.

Ao menos 47 pessoas morreram desde o golpe, segundo o sindicato.

Além disso, o Ministério de Desenvolvimento Social e as Nações Unidas reportaram a ocorrência de estupros durante os protestos, sem dar detalhes sobre os autores.

"Contabilizamos dois casos de estupro de mulheres que participavam da manifestação em 19 de dezembro", declarou à AFP Suleima Ishaq, encarregada da unidade de violência contra as mulheres do Ministério de Desenvolvimento Social.

A ONU, por sua vez, registrou 13 casos de estupro no domingo.

"Nosso escritório conjunto de Direitos Humanos das Nações Unidas recebeu alegações segundo as quais 13 mulheres e meninas foram vítimas de estupros ou estupros coletivos", declarou em um comunicado divulgado nesta terça Liz Throssel, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

"Igualmente, recebemos acusações de assédio sexual por parte das forças de segurança contra mulheres que tentavam fugir da área ao redor do palácio presidencial na noite de domingo", acrescentou.

A ONU pediu "uma investigação rápida, independente e profunda sobre as alegações de estupro e assédio sexual, assim como das informações de pessoas mortas ou manifestantes feridos devido a um uso inútil ou desproporcional da força, em particular o uso de balas reais".

As manifestações coincidiram com o terceiro aniversário do início da revolução que levou à queda do ditador Omar al Bashir, em abril de 2019.

O processo de transição democrática que se seguiu depois foi interrompido pelo golpe de Estado em outubro.

Na segunda-feira, o porta-voz do exército assegurou que as forças armadas eram favoráveis a um processo democrático e à realização de "eleições livres e justas".

Mas as Forças da Liberdade e da Mudança, ponta de lança da revolta, convocaram novos protestos previstos para 25 e 30 de dezembro.

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