'Manifestações em frente a quartéis não ajudam', diz ministro da Defesa

Laís Alegretti - @laisalegretti - Da BBC News Brasil em Londres

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro responder a uma postagem que continha imagem de convocação de manifestações em frente a quartéis, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou à BBC News Brasil que propostas de manifestações em frente a instalações militares "não ajudam".

"O momento é de união para juntos vencermos o desafio do coronavírus. Manifestações em frente a quartéis não ajudam", disse o ministro, sem no entanto fazer referência direta à postagem do presidente.

O ministro, que é general da reserva, também afirmou à reportagem, por meio da assessoria de imprensa, que as Forças Armadas devem respeitar os pilares de hierarquia e disciplina.

"Vivemos em um ambiente democrático e de liberdade. As Forças Armadas, por outro lado, são instituições de Estado e devem sempre permanecer fortemente arraigadas nos pilares básicos da hierarquia e da disciplina", completou.

Mais cedo, Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter uma resposta à jornalista Vera Magalhães. Replicando uma mensagem que circula entre apoiadores do presidente, ela cobrou que cabia a ele "desmobilizar esse ato golpista no aniversário do golpe. Ou então as instituições não confiarão nesse convite que ele fez ao diálogo".

A mensagem original mostra a data de 31/03, que é aniversário do golpe militar de 1964, e o texto "Agora é guerra - agora é na frente dos quartéis". A imagem traz, ainda, as hashtags #ForaCongresso e #ForaSTF e a foto do presidente.

Bolsonaro respondeu: "Vá procurar o que fazer, senhora!"

Protestos no domingo

No domingo (15/03), apoiadores de Bolsonaro já haviam realizado protestos em diversas cidades do país, embora parte dos organizadores das manifestações tenham optado por seu cancelamento, seguindo as instruções do Ministério da Saúde para evitar aglomerações.

Bolsonaristas seguiram insistindo em realizar os protestos e iniciaram um movimento nas redes sociais: #DesculpeJairMasEuVou.

Em suas redes sociais, o presidente compartilhou vídeos mostrando manifestações no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Piauí, Bahia, Santa Catarina e Pará.

Em Brasília, manifestantes entoavam gritos de guerra e seguraram faixas em defesa do governo federal e com uma série de ataques ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal), como presenciou a reportagem da BBC News Brasil.

Diante dos protestos a seu favor no Distrito Federal, Bolsonaro deixou a residência oficial do Palácio da Alvorada e interagiu com manifestantes que o esperavam do lado de fora do Palácio do Planalto.

A ação gerou controvérsia, já que o presidente havia sido colocado em monitoramento após parte de sua comitiva em viagem aos Estados Unidos ter sido infectada pelo novo coronavírus.

Bolsonaro estava separado de seus apoiadores por uma grade e cercado por integrantes de sua equipe. Ele esticou o braço para tocar nos manifestantes e manuseou o celular de alguns deles para fazer 'selfies'.

Outra autoridade que contrariou as recomendações oficiais foi o deputado deputado federal Marco Feliciano (Pode-SP), que foi a uma manifestação a favor do presidente no interior de São Paulo, e divulgou em suas redes sociais.

"Contra tudo e contra todos, contra todo o sistema que se mobilizou para impedir, AS MANIFESTAÇÕES PRÓ-BOLSONARO SÃO MANTIDAS EM 259 CIDADES! #BolsonaroDay em 1º lugar no Twitter! #DeculpeJairMasEuFui", postou o deputado.

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