Manifestações pelo país pedem impeachment de Bolsonaro

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - Manifestantes voltaram às ruas de diversas cidades do país, neste sábado, para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, em novos protestos que ganharam força com uma crise enfrentada pelo governo e ameaças à realização da eleição do ano que vem.

Os protestos ocorreram dois dias após o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, negar relatos de que teria feito chegar ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ameaças de que não haveria eleição no ano que vem sem a aprovação da proposta de voto impresso, que tramita na Casa.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Braga Netto teria feito chegar a Lira, por meio de interlocutores, que as eleições de 2022 não aconteceriam sem a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que prevê a implementação do voto impresso no país, em linha com o que tem sido afirmado recentemente por Bolsonaro.

Convocadas em mais de 500 cidades por movimentos sociais, entidades estudantis, partidos políticos e centrais sindicais, as manifestações têm a intenção de reforçar a pressão para que Lira dê andamento a um processo de impeachment contra Bolsonaro.

"Quero seu impeachment por ser um governo corrupto e genocida. Pela educação, pela saúde, contra o genocídio indígena e negro e contra as privatizações", disseram os organizadores do "Fora Bolsonaro" no Twitter.

"Temos o pior governo do Estado brasileiro, que mata os cidadãos por negligência durante a pandemia, que pauta retirada de direitos e ameaça a democracia".

O presidente enfrenta o momento mais difícil de seu governo até agora, acuado por uma CPI que está indo além de denunciar a omissão e chega muito perto de escândalos de corrupção na compra de vacinas, e com sua popularidade caindo em velocidade acelerada.

A rejeição a Bolsonaro atingiu 51% este mês, segundo pesquisa Datafolha divulgada no começo do mês, o maior índice registrado pelo instituto desde o início do mandato presidencial.

Para tentar estancar a crise, Bolsonaro anunciou nesta semana que fará mudanças em seu ministério e vai trazer de vez o centrão para dentro do Palácio do Planalto, com o convite, já aceito, para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) assumir a Casa Civil.

Também neste sábado, Bolsonaro fez um passeio de moto no Distrito Federal e posou para fotos com alguns apoiadores, de acordo com vídeo publicado nas redes sociais. O presidente estava acompanhado pelos ministros Braga Neto e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil).

No Rio de Janeiro, o ato contra Bolsonaro reuniu centenas de manifestantes para uma caminhada entre o monumento de Zumbi dos Palmares até a Igreja da Candelária, no centro. Além dos tradicionais gritos e faixa de "Fora Bolsonaro" e "Genocida", houve críticas ao ritmo da vacinação no país e ataques às negociações suspeitas para aquisição de imunizantes levantadas pela CPI da Covid.

“O povo precisa de vacina no braço e de um governo que se preocupe com as pessoas. Não temos nem um nem outro“, disse o professor André Santos durante o ato.

Também houve protestos pela manhã em Salvador, Recife e Goiânia, enquanto em outras cidades os atos estão marcados para mais tarde, inclusive em São Paulo.

Os organizadores dos atos deste sábado mantiveram as orientações já passadas aos manifestantes em atos semelhantes: uso de máscaras com boa capacidade de proteção, distanciamento físico e utilização de álcool em gel, devido ao risco de contaminação por coronavírus. Também foi feita a recomendação que integrantes dos grupos de risco não comparecessem aos atos.

Os atos deste sábado repetem protestos contra o presidente ocorridos no iníco do mês, logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar abertura de inquérito para investigar suposto crime de prevaricação de Bolsonaro no caso envolvendo as negociações para compra de vacinas contra a Covid-19.

(Por Pedro Fonseca; Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Lisandra Paraguassu, em Brasília)

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