Le Pen surpreende campanha de Macron ao visitar operários grevistas

Paris, 26 abr (EFE).- A ultradireitista Marine Le Pen surpreendeu nesta quarta-feira ao visitar operários que fazem greve junto a uma fábrica da Whirlpool em Amiens, cidade natal de Emmanuel Macron, enquanto este estava reunido com os sindicatos na Câmara de Comércio.

Ao mesmo tempo que Le Pen recebia uma multidão no exterior da fábrica - que a matriz americana tem previsto mudar para a Polônia -, Macron se reunia com o comitê sindical a portas fechadas, após ter rejeitado em um primeiro momento visitar os grevistas, embora anunciou que irá ao local nesta tarde.

A manobra da ultradireitista assustou o candidato social liberal, que teve que comparecer após a reunião perante a imprensa para amenizar a surpresa.

"O fato de Macron não vir aqui falar com os grevistas e se reunir com duas ou três pessoas na Câmara do Comércio mostra um grande desprezo", declarou Le Pen, enquanto não parava de tirar selfies com os trabalhadores.

A candidata acusou Macron de ser o candidato da "desregulamentação" e disse que com suas políticas "milhões de franceses perderão seus empregos", entre os gritos de "Marine presidente!".

Após o término da reunião com os representantes sindicais, Macron - que foi o candidato mais votado no primeiro turno e é o favorito para o segundo em 7 de maio - criticou a "utilização política" de um conflito social por parte de sua rival.

Para o social liberal, Le Pen "não entendeu como funciona o país", já que, ele primeiro se reúne com os representantes dos trabalhadores e mais tarde se encontrará com os próprios operários, que se manifestam há semanas na porta da fábrica.

Após destacar que os sindicatos tiveram uma atitude "exemplar", o ex-ministro de Economia disse que foi possível "discutir a situação com detalhes confidenciais".

"O projeto de Le Pen não recupera nada da situação da Whirlpool. A saída da União Europeia? Se ela for escolhida, esta fabrica fechará, como muitas outras na França", considerou o candidato.

A Whirlpool anunciou em janeiro passado que prevê deslocar as atividades de sua fábrica em Amiens, que emprega 295 pessoas, para a Polônia. EFE