Manifestações são anuladas no Afeganistão após proibição do Talibã

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Combatentes talibãs em rua de Cabul, em 9 de setembro de 2021 (AFP/Aamir QURESHI)

Vários protestos em favor da liberdade foram cancelados nesta quinta-feira (9) em Cabul, após serem proibidos pelo novo governo do Talibã, que tenta estabelecer seu regime fundamentalista, sob suspeita dos países ocidentais.

Esta semana, talibãs armados dispersaram concentrações de centenas de pessoas em várias cidades do país, incluindo Cabul, Faizabad (nordeste) e Herat (leste), onde duas pessoas foram mortas a tiros.

Para encerrar as manifestações, na quarta-feira à noite, o novo governo do Talibã ordenou que qualquer protesto fosse autorizado previamente pelo ministério da Justiça. E que "por enquanto, nenhum foi".

Esta manhã, muito mais combatentes fundamentalistas armados circulavam pelas ruas de Cabul do que nos dias anteriores - incluindo forças especiais com equipamento militar - nas esquinas e nos postos de controle de tráfego em grandes avenidas, segundo jornalistas da AFP.

Um organizador de um protesto em frente à embaixada do Paquistão - um país muito próximo do Talibã e acusado de interferência nos assuntos internos afegãos - disse à AFP que a manifestação foi cancelada como resultado da proibição do governo.

Em outro local onde outro protestos estava planejado, não havia indicação alguma de mobilização.

- "Ganhar" legitimidade -

O Talibã anunciou seu governo de transição composto por membros ultraconservadores, alguns dos quais já governaram durante o regime fundamentalista brutal da década de 1990.

Vários ministros estão nas listas de sanções da ONU e não há mulheres no gabinete.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, alertou o novo governo que deve "ganhar" sua legitimidade perante a comunidade internacional, após o anúncio deste gabinete que inclui membros procurados por Washington.

Em uma reunião virtual na Alemanha com ministros de 20 países, Blinken explicou que a reunião se concentrou em como fazer o Talibã respeitar "seus compromissos e obrigações".

Em outras palavras, "deixar as pessoas circularem livremente para respeitar seus direitos fundamentais, incluindo mulheres e minorias, garantir que o Afeganistão não seja usado como base para ataques terroristas, não retaliar aqueles que optam por permanecer no Afeganistão", citou.

Uma das questões de maior preocupação em nível internacional é a retirada do país de estrangeiros e afegãos em risco, que não puderam sair quando as últimas tropas americanas foram retiradas no final de agosto.

Precisamente nesta quinta-feira, e pela primeira vez desde então, cerca de 200 estrangeiros, incluindo americanos, deixarão, por via aérea, Cabul para o Catar, informaram fontes próximas a esta operação em Doha.

- Promessas de abertura -

Apesar de o Talibã ter prometido incluir membros de outros grupos no governo, a realidade é que os principais cargos anunciados são ocupados por líderes talibãs: o ministério do Interior é liderado por Sirajuddin Haqqani, chefe da temida rede Haqqani - classificada como terrorista pelos Estados Unidos - e da Defesa por mulá Yaqub, filho do mulá Omar, fundador do movimento.

Mohammad Hasan Akhund, que foi ministro entre 1996 e 2001, é o responsável pelo governo.

O Talibã também restabeleceu o temido ministério para a Propagação da Virtude e a Prevenção do Vício, que durante o regime anterior garantia que a população respeitasse sua interpretação estrita da lei islâmica.

Na quarta-feira, o ex-presidente Ashraf Ghani, cuja fuga em 15 de agosto abriu as portas de Cabul e do poder ao Talibã, pediu desculpas ao povo afegão por não ter oferecido um futuro melhor.

Este novo governo enfrenta a difícil tarefa de retomar a economia do país e lidar com problemas complexos de segurança, incluindo a filial local do grupo Estado Islâmico, rival do Talibã e por trás de ataques sangrentos.

Enquanto isso, por todo o país vão surgindo símbolos marcando os novos governantes.

Em imagens que circularam nas redes sociais, é possível constatar que o principal aeroporto do país, antes denominado Hamid Karzai International em homenagem ao primeiro presidente pós-Talibã, passou a se chamar Kabul International.

E um feriado nesta quinta-feira em memória ao famoso comandante Ahmed Shah Masud, assassinado em 2001 pela Al-Qaeda, também foi cancelado.

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