Manifestações tomam Hong Kong com objetivo de paralisar ex-colônia

Por Su Xinqi y Jerome Taylor
Manifestantes pró-democracia em Central, Hong Kong

Os manifestantes pró-democracia em Hong Kong intensificaram suas ações, nesta quarta-feira (13), com o objetivo de paralisar completamente a atividade na ex-colônia britânica, palco nos últimos dias dos mais graves distúrbios e atos de vandalismo registrados até então.

Até agora, as manifestações aconteciam, em geral, à noite ou no fim de semana, afetando menos a vida da população. Agora, após 24 semanas de mobilização, os manifestantes decidiram passar para uma nova fase que pode colocar o território, segundo expressão da polícia, "à beira do colapso".

Os grupos de manifestantes em Hong Kong amplificam as convocações nas redes sociais e tomam como alvo diversos bairros da cidade para perturbar ao máximo seu funcionamento diário e pôr as forças policiais à prova.

Nesta quarta-feira, pelo terceiro dia seguido, a maioria das linhas de metrô - que transporta diariamente mais da metade dos 7,5 milhões de habitantes do território - estavam fechadas depois de vários atos de vandalismo.

Vários shoppings e escolas permaneceram fechados. Cruzamentos e vias estão entulhados com paralelepípedos, pedras, restos de bicicletas e outros objetos, abandonados pelas ruas para perturbar a circulação.

Hong Kong é uma região semiautônoma dirigida sob o princípio de "um país, dois sistemas" até 2047, o que faz esta ex-colônia gozar de liberdades inexistentes no restante da China.

Os manifestantes pró-democracia acusam Pequim de descumprir suas promessas, aumentando seu controle político no território e pedem eleições livres para designar suas autoridades locais.

- Fugir da violência -

Segunda e terça-feiras já foram os dias mais violentos em 24 semanas de mobilização. E os campi universitários de Hong Kong se transformaram ontem, pela primeira vez, em cenário de duros enfrentamentos.

Nesta quarta, os estudantes chineses do continente começaram a abandonar os campi de Hong Kong, relataram fontes policiais e universitárias, por temor da violência na ex-colônia.

Na Universidade Chinesa de Hong Kong, a polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha nas centenas de manifestantes que haviam erguido barricadas.

Grupos de manifestantes radicais com máscaras instalaram barricadas e bloquearam estradas nas universidades do território. Na Universidade Politécnica, houve confrontos quando a polícia tentava deter uma estudante.

"O Estado de Direito em Hong Kong está à beira do desmoronamento total", declarou na terça-feira o porta-voz da polícia, Kong Wing-cheung.

Esta semana, a imprensa oficial chinesa indicou que o Exército Popular de Libertação da China, que tem uma guarnição em Hong Kong, está pronto para apoiar a polícia, se necessário.

Tanto o governo de Pequim como o Executivo local de Hong Kong parecem pouco dispostos a realizar concessões políticas aos manifestantes.

Nesta terça, o Diário do Povo afirmou que as eleições locais previstas para acontecerem em Hong Kong, em 24 de novembro, poderão ser anuladas, se os manifestantes não cederem.

A China ainda não parece disposta, porém, a tomar medidas tão radicais como uma intervenção militar, opina Ben Bland, diretor do projeto Sudeste Asiático no Instituto Lowy, um "think tank" localizado em Sydney.

Segundo ele, o governo de Pequim parece apostar, principalmente, no enfraquecimento da mobilização.

"A resposta mais provável [à crise] continuará sendo dada pelas autoridades e pela polícia de Hong Kong" afirma.