Nova manifestação em São Paulo pede impeachment de Bolsonaro enquanto CPI avança em caso Covaxin

·3 minuto de leitura
Em torno de mil pessoas se reúnem diante do Teatro Municipal de São Paulo em critica à atuação do governo federal no combate à Covid-19 - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
Em torno de mil pessoas se reúnem diante do Teatro Municipal de São Paulo em critica à atuação do governo federal no combate à Covid-19 - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
  • Com a leve diminuição dos números da pandemia, crescem atos na rua contra o governo Bolsonaro

  • Policialmente foi reforçado em relação à última manifestação, ocorrida no dia 4 de julho, quando houve confronto entre policiais e ativistas

  • Manifestantes centraram críticas a Bolsonaro pelo 'Caso Covaxin' e pediram a abertura de um processo de impeachment

Cerca de mil pessoas realizaram um protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no centro de São Paulo na noite desta terça-feira (13). Os manifestantes, em sua maioria militantes de movimentos sociais, estudantis e partidos políticos se concentraram a partir das 17h diante do Teatro Municipal, marco histórico no centro antigo da capital.

O policiamento foi reforçado em relação à última manifestação, realizada no dia 4 de julho, quando foram registrados conflitos com policiais e ataques de ativistas a agências bancárias e pontos de ônibus — ação que foi utilizada pelo presidente e apoiadores para criticar e minimizar os protestos contra o governo federal. Até aquele momento o presidente insistia em diminuir a dimensão dos atos.

Leia também

O grupo reunido com faixas, bandeiras e bateria foi cercado por policiais, enquanto tropas de choque do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) se agrupavam em ruas transversais. Manifestantes e mesmo pedestres que passam pela região eram revistados ao chegar e tinham mochilas e pertences eram vistoriados “em busca de artefatos explosivos ou violentos”, como explicavam os policiais no local.

O discurso mais repetido em um pequeno carro de som que ecoava pelas ruas do centro era do pedido de impeachment do presidente Bolsonaro, alvo de inquérito da PF para apurar se houve prevaricação no caso da compra da vacina Covaxin. Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, relatou em depoimento ao MPF ter sofrido pressão atípica” de superiores para garantir a importação da vacina indiana por um preço superior ao oferecido pela farmacêutica Pfizer.

Nesta terça-feira a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a atuação do governo federal no combate à pandemia da Covid-19 tentou ouvir Emanuela Medrades, diretora-técnica da Precisa Medicamentos, responsável pela negociação com a indiana Bharat Biotech. Emanuela invocou por 12 horas o direito a permanecer em silêncio durante seu depoimento, garantido por um habeas corpus concedido pela ministra do STF Rosa Weber. Medrades volta a prestar depoimento a partir da manhã desta quarta, em conjunto com o sócio-diretor da Precisa, Francisco Maximiano.

Ato criticou privatizações e registrou pequeno tumulto

O pedido de impeachment de Jair Bolsonaro é repetido por ruas do centro da capital paulista - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
O pedido de impeachment de Jair Bolsonaro é repetido por ruas do centro da capital paulista - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias

Os pedidos de impeachment e acusações de corrupção no governo Jair Bolsonaro para aquisição de vacinas e rachadinhas foram, no entanto, diluídos por críticas aos processos de privatização tocados pelo governo federal. Ainda nesta terça-feira o presidente sancionou, com vetos, a medida provisória (MP) que viabiliza a privatização da Eletrobras, enquanto funcionários dos Correios protestaram ao longo dia, também no centro da capital, contra o projeto de privatização da estatal de comunicações que deve ser votado na próxima semana.

Após percorrer 1 km, um pequeno tumulto se formou durante a dispersão diante da Secretaria Estadual de Educação, na praça da República, e um homem foi detido. Segundo os policiais presentes, João Felipe da Silva teria sido abordado com um soco inglês. Após ser conduzido às viaturas do Baep, no entanto, os policiais teriam verificado se tratar de outro objeto e o liberado sem contato com os demais manifestantes. A ação levantou suspeitas nos manifestantes de tratar-se de um policial infiltrado, popularmente conhecido como P2.

Por volta das 20h o trânsito foi restabelecido e a manifestação teve encerramento sem mais incidentes.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos