Cinco manifestantes mortos na repressão a manifestações contra golpe de Estado no Sudão

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Protesto contra o golpe militar em Cartum, capital do Sudão (AFP/-)

As forças de segurança do Sudão mataram cinco manifestantes neste sábado (13) durante os protestos contra o golpe de Estado no país, em uma jornada de teste tanto para os opositores como para os generais no poder.

Os ativistas pró-democracia convocaram, por mensagens de texto, os sudaneses a protestar para exigir o retorno do governo civil e evitar uma nova "ditadura militar" no país depois do golpe de 25 de outubro, condenado pela comunidade internacional.

As forças de segurança usaram munição letal e gás lacrimogêneo contra dezenas de milhares de opositores que participaram em protestos em várias cidades do país.

Um balanço divulgado durante a tarde por um sindicato de médicos informa as mortes de cinco opositores e várias pessoas "feridas a tiros" entre os manifestantes.

Desde o golpe de Estado, os protestos deixaram 20 mortos e mais de 300 feridos, de acordo com fontes médicas. Além disso, centenas de opositores e ativistas foram detidos.

- "O povo decide" -

Desde as primeiras horas da manhã, soldados e paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) estavam mobilizados nas ruas de Cartum para bloquear as pontes que ligam a capital ao subúrbios e para controlar as principais avenidas.

Apesar dos obstáculos, vários grupos iniciaram as passeatas a partir de diversos bairros com gritos de "Não ao poder militar" e "Abaixo o Conselho Soberano", liderado pelo general Abdel Fattah al Burhan, autor do golpe de Estado.

"Os militares não deveriam interferir na política, deveriam proteger a Constituição", disse Ahmed Abderrahmane, manifestante na capital Cartum.

"Não se negocia com os golpistas, o povo decide", afirmou Hamza Baloul, ministro da Informação, que foi detido em 25 de outubro e recentemente liberado, em um vídeo publicado na internet por seu gabinete.

Manifestações também foram organizadas no leste do país, o terceiro maior da África, assim como em algumas capitais ocidentais, onde a diáspora sudanesa organizou protestos.

O general Abdel Fattah al Burhan nomeou na quinta-feira um novo Conselho Soberano, do qual foram excluídos os representantes do bloco que pede a transferência de poder aos civis.

Este conselho foi criado após a queda em 2019 do ditador Omar Al Bashir para supervisionar a transição à democracia, justamente sob a presidência de Burhan.

Mas em 25 de outubro, o general dissolveu todas as instituições, declarou estado de emergência e vários líderes civis do país foram detidos.

- Promessa de eleições -

Com seu número dois, o general Mohamed Hamdan Daglo, comandante das influentes RSF, paramilitares acusados de vários abusos, Burhan prometeu organizar "eleições livres e transparentes" no verão de 2023.

As promessas não apaziguaram a oposição, afetada por centenas de detenções, que continuaram neste sábado, de acordo com sindicados e associações pró-democracia.

"Agora que aconteceu o golpe, os militares querem consolidar seu controle do poder", afirma Jonas Horner, pesquisador do International Crisis Group, enquanto a imprensa estatal anuncia a cada dia novos expurgos.

Desde o golpe de Estado condenado pela comunidade internacional, Burhan suspendeu vários artigos da declaração constitucional que deveria guiar a transição para eleições livres.

Ele retomou os artigos na quinta-feira, mas depois de eliminar qualquer referência às Forças da Liberdade e Mudança (FFC, na sigla em inglês), o bloco civil surgido da revolta que derrubou Bashir em abril de 2019.

Para Volker Perthes, emissário da ONU para o Sudão, a "nomeação unilateral do Conselho Soberano por parte do general Burhan torna muito mais difícil retornar aos compromissos constitucionais" de 2019.

O exército libertou apenas quatro ministros detidos durante o golpe. O primeiro-ministro derrubado, Abdallah Hamdok, continua em prisão domiciliar.

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