Manifestantes anti-Bolsonaro e polícia entram em confronto em Pádua

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante visita ao presidente da Colômbia, Iván Duque, que está em visita oficial ao Brasil, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante visita ao presidente da Colômbia, Iván Duque, que está em visita oficial ao Brasil, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

PÁDUA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Manifestantes contrários à visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a Pádua, no norte da Itália, e a polícia entraram em confronto nesta segunda (1º). Uma ativista foi presa em meio à confusão.

Por volta das 16h, no horário local, participantes de um ato anti-Bolsonaro tentaram romper o bloqueio de agentes para marchar até a basílica de Santo Antonio, que o brasileiro visitou mais tarde.

Diante do cordão de segurança, a ativista Laura enfrentou os policiais, que por sua vez a prenderam. Na sequência, os manifestantes partiram para cima dos agentes, que responderam com jatos d'água.

Em imagens captadas pela TV italiana Rai, os ativistas usaram mastros de bandeiras, enquanto os policiais enfrentavam os manifestantes com escudos, cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo.

Após o uso dos jatos d'água, a tensão diminuiu, e os ativistas passaram a marchar pelas ruas do centro gritando "liberdade, liberdade". Mattia Sascina, um dos organizadores do protesto, disse à reportagem que os atos seguirão até que a manifestante seja liberada. "Foi uma truculência muito grande, não esperávamos."

Também de acordo com Sascina, um outro ativista foi levado ao hospital com ferimentos.

Ainda que Bolsonaro tenha visitado a basílica em Pádua, em tese não havia ninguém para recebê-lo oficialmente. Nem o prefeito Sergio Giordani nem membros da igreja se dispuseram a encontrá-lo.

Talvez por isso, e também devido aos atos, surgiu a hipótese de que o presidente teria cancelado a visita —a agência de notícias Ansa chegou a emitir uma nota na qual afirmava que o evento não ocorreria mais.

Às 19h, no entanto, quando a igreja costuma fechar as suas portas, a polícia italiana que estava presente na parte interna da basílica pediu aos profissionais da imprensa que saíssem do local. Sem informações oficiais da Secretaria de Comunicação do governo, a confirmação de que a visita ocorrera veio por meio do Instagram do deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto Lorenzato, do partido xenófobo Liga Norte.

No vídeo divulgado pelo parlamentar, Bolsonaro aparece de olhos fechados, cabeça baixa e com a mão direita tocando o túmulo de Santo Antônio de Pádua. Como costuma acontecer, o registro depois foi publicado nas redes sociais do presidente.

No momento da visita, o clima na cidade já havia esfriado, mas a sombra de novos protestos devem reaparecer nesta terça-feira (2). Um dos gritos que ecoaram em Anguillara Vêneta lembrou um dos compromissos que Bolsonaro terá.

Na cidade em que se tornou cidadão honorário, militantes do partido da Refundação Comunista gritavam "Salvini cretino, Bolsonaro é assassino", em referência a Matteo Salvini, senador símbolo da ultradireita italiana e um apoiador da família do presidente brasileiro no país. Salvini deve se encontrar com Bolsonaro durante a homenagem em Pistoia aos pracinhas que combateram na Segunda Guerra.

A reunião é simbólica do roteiro percorrido pelo presidente na Itália. Isolado durante a cúpula do G20, Bolsonaro não teve nenhuma reunião bilateral com líderes mundiais. Na manhã do último dia de reunião, preferiu passear a pé em vez de ouvir o príncipe Charles.

O segundo passeio do dia, por sua vez, foi marcado por agressões a jornalistas. Assim, o encontro com Salvini mostra que a influência de Bolsonaro está restrita a seu círculo.

O protesto em Pádua foi o segundo do dia enfrentado por Bolsonaro. Em Anguillara Vêneta, aonde foi mais cedo, o presidente brasileiro também foi alvo de ativistas que o chamam, na maioria das vezes, de genocida, em crítica à condução que impôs à pandemia de Covid-19 no Brasil.

Em Anguillara, Bolsonaro recebeu o título de cidadão honorário das mãos da prefeita Alessandra Buoso, ligada ao partido de ultradireita Liga Norte. A honraria, aprovada a toque de caixa, foi cercada de polêmica.

Para a prefeita, a concessão do título seria uma "homenagem aos italianos que haviam partido para o Brasil e às origens vênetas", uma vez que foi na cidade italiana que um bisavô de Bolsonaro nasceu.

Membros da oposição, como o vereador Antônio Spada, no entanto, opõem-se à homenagem, afirmando que prefeita se contradiz, "pois apresentou outra proposta, dizendo que concederia a cidadania porque o presidente promove a história vêneta". "Mas Bolsonaro nunca falou nem mesmo sobre Anguillara."

Na cidade de 4.000 habitantes, o presidente viu também expressões de apoio. Cantando o hino nacional e vestidos com camisas da seleção brasileira, eles se reuniram em frente à prefeitura e depois se deslocaram até a Villa Arca del Santo, onde o presidente recebeu o título de Buoso.

As manifestações contra a decisão da prefeita começaram já na sexta-feira, (29), quando alguns manifestantes ligados ao grupo ambientalista Rise Up 4 Climate Justice jogaram esterco na entrada da prefeitura e picharam a fachada com "Fora Bolsonaro". Para o grupo, "o presidente representa o modelo capitalista, predatório, destrutivo e colonialista contra qual lutamos".

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