Manifestantes anticonfinamento tomam partido rumo às presidenciais nos EUA

Por Jeff Kowalsky with Chris Lefkow in Washington
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Manifestação contra o confinamento em Lansing, Michigan

Com manifestantes reunidos nesta quinta-feira no Michigan para protestar contra as ordens de confinamento e o rechaço de uma corte a estender as restrições ao vizinho Wisconsin, os debates nos Estados Unidos sobre o confinamento ganharam um tom partidário.

Duzentos de manifestantes, alguns portando armas de fogo, reuniram-se debaixo de chuva em frente ao Capitólio do estado do Michigan, desafiando a ordem de permanecer em casa decretada pela governadora, a democrata Gretchen Whitmer.

"Defenda a nossa Constituição. Patriotas de pé!", diziam alguns cartazes de manifestantes, vários dos quais declararam apoio ao presidente Donald Trump.

"LIBERDADE!", a palavra escrita em negrito em um enorme cartaz pendia da escadaria do Capitólio fechado, tentando dar um tom épico à manifestação.

Espera-se que o Michigan, celeiro da indústria automotiva dos Estados Unidos, desempenhe um papel-chave nas eleições presidenciais de novembro. Nos últimos dias, o estado surgiu como um ponto sobressalente para a oposição de direita ante o confinamento.

Com mais de 48 mil casos de COVID-19 e 4.714 mortes, o Michigan é o estado com o quarto maior número de mortos pelo vírus no país.

A governadora, provável companheira de chapa de John Biden nas presidenciais de novembro, prorrogou até 28 de maio as restrições impostas em 24 de março, mas flexibilizando algumas medidas para atividades comerciais e recreativas.

- 'Intimidar' -

"É um momento difícil. Há muita ansiedade, muito medo", disse Whitmer nesta quinta-feira à MLive. "Agora mesmo, é mais importante do que nunca que estejamos atentos (...) Se o povo baixar a guarda, poderemos ver a COVID-19 começar a subir de novo", acrescentou.

A governadora destacou que este não deveria ser um "momento político" e condenou a exibição de bandeiras confederadas e do "simbolismo nazista" nos protestos.

Gretchen disse ontem à rede de TV ABC que "estão sendo usadas armas para intimidar os outros, o que não é uma atividade legal. Temos legisladores que aparecem para trabalhar vestindo colete à prova de balas."

Os protestos se tornaram "manifestações políticas às quais as pessoas comparecem com simbolismo nazista e pedem a violência", criticou a governadora, assinalando que, apesar de seu estado ser chave no jogo eleitoral, não pode tomar decisões baseadas na política para enfrentar a pandemia.

"Temos que ouvir a ciência. Tomarei decisões baseadas em fatos, e não baseadas em retórica política ou tuites", afirmou Gretchen, referindo-se às mensagens de Trump na rede social.

O presidente americano deseja reativar a economia local, devastada, antes de novembro, apesar de pedir aos governadores uma reabertura segura.

Segundo uma pesquisa "The Washington Post"-Ipsos, 72% dos residentes do Michigan aprovam as ações de Gretchen, contra 25%. Apenas 43% dos entrevistados concordam com a forma como Trump conduz a pandemia, que já deixou mais de 84 mil mortos no país.

As decisões políticas sobre a pandemia têm grande peso na campanha eleitoral. Trump venceu Hillary Clinton por apenas 10.000 votos no Michigan em 2016, e uma vitória no estado é considerada crucial para suas chances de reeleição.

- Justiça ordena abertura de Wisconsin -

Trump iniciou um debate sobre o confinamento em Wisconsin, estado também governado por um político democrata e visto como outra peça-chave rumo à sua reeleição.

A Suprema Corte local, dominada pelos conservadores, revogou ontem as ordens de confinamento ditadas pelo governador Tony Evers.

Apesar de Wisconsin não ser um dos estados mais afetados pelo novo coronavírus, o mesmo registra mais de 10,9 mil casos e mais de 400 mortes.

"O grande estado de Wisconsin acaba de ter outra vitória", tuitou Trump. "O tribunal obrigou seu governador democrata a deixar o estado abrir. As pessoas querem seguir com suas vidas", concluiu.