Manifestantes antigovernamentais do Iraque em pé de guerra com 'ocupantes' EUA e Irã

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Manifestantes iraquianos bloqueiam estradas com pneus em chamas na cidade de Najaf

Manifestantes antigovernamentais do Iraque protestaram contra “os dois ocupantes: Irã e Estados Unidos” neste domingo, em um contexto de tensões entre os dois aliados de Bagdá, que poderiam resultar em um conflito em seu território e intensificar a revolta.

Enquanto o Parlamento está dividido entre os pró-iranianos, que exigem a saída dos 5.200 soldados americanos, e os apoiadores de que se mantenha um contrapeso à influência de partidos e grupos armados apoiados por Teerã, os manifestantes não querem nem um nem outro.

Em meio a tanta turbulência, o Parlamento instou o governo neste domingo a expulsar as tropas americanas do país.

Enquanto a ameaça de violência paira sobre o Iraque após anos de calma, um dos manifestantes contou à AFP que a rua “se levantará contra os dois ocupantes, Irã e Estados Unidos”.

A morte do general iraniano Qasem Soleimani e do número dois dos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al Muhanids, alimentaram o sentimento antiamericano em um país ocupado por Washington entre 2003 e 2011.

As ameaças das facções pró-Irã contra soldados e diplomatas dos EUA alimentaram a raiva dos manifestantes, que denunciaram a influência de Teerã em Bagdá por mais de três meses e o uso de paramilitares iraquianos em seu próprio interesse.

- "Não há Estado no Iraque" -

No sul, em Basra, a grande cidade petrolífera, e em Nasiriya, uma cidade tribal e agrícola, os protestos resultaram em confrontos violentos.

Nestas duas cidades, os manifestantes, que gritam “Fora, Irã!” há meses, rejeitaram a passagem de um cortejo fúnebre simbólico em homenagem a Soleimani e Muhandis.

Em Diwaniya, outra cidade do sul também abalada pelas revoltas, centenas de iraquianos – especialmente estudantes – saíram às ruas gritando “Não ao Irã, não aos Estados Unidos!”, enquanto vários helicópteros os vigiavam.

Em Najaf, um grupo de manifestantes queimou pneus para cortar estradas e protestar contra o Irã e os Estados Unidos.

“Rejeitamos que o Iraque se torne o campo de batalha dos Estados Unidos e do Irã, porque aqueles que serão vítimas desse conflito serão os iraquianos”, afirmou Ahmed Jauad, estudante que protestava na cidade sagrada de Kerbala.

Ali Husein, outro estudante, denunciou a interferência dos Estados Unidos em um país com estabilidade precária.

“Os americanos violaram a soberania do Iraque bombardeando as bases de Hashd al-Shaabi e realizando um bombardeio perto do aeroporto de Bagdá”, que matou Soleimani, lembrou. “É a prova de que não há Estado no Iraque.”