Manifestantes armados entraram na Câmara Legislativa de Michigan para exigir fim do confinamento

Por Jeff Kowalsky
Alguns dos manifestantes que entraram no Câmara de Michigan em 30 de abril de 2020

Manifestantes, incluindo alguns armados, entraram na quinta-feira (30) à noite no edifício legislativo do estado americano de Michigan (nordeste) e exigiram que a governadora democrata retirasse as ordens de confinamento para o coronavírus, enquanto alguns parlamentares usavam coletes à prova de balas.

Dezenas de manifestantes lotaram o saguão do prédio em Lansing, onde exigiram permissão para entrar na Câmara.

A polícia do estado, usando máscaras de proteção para evitar o coronavírus, impediu a entrada deles. Nenhum dos manifestantes parecia estar usando máscaras.

"Diretamente acima de mim, há homens com fuzis gritando conosco", escreveu a senadora Dayna Polehanki, juntamente com uma foto mostrando quatro homens, incluindo pelo menos um que parecia estar carregando uma arma.

"Alguns de meus colegas que possuem coletes à prova de balas os usam. Nunca apreciei nossos Sargentos de Armas (guardas do local) mais do que hoje", disse.

Mais manifestantes ficaram do lado de fora do prédio com cartazes, incluindo um representando a governadora Gretchen Whitmer como o ditador nazista Adolf Hitler.

A manifestação, chamada American Patriot Rally (Ato Patriota Americano), foi organizada por um grupo que se chama Michigan United for Liberty (Michigan Unido pela Liberdade).

"Não concordamos ou consentimos que nossos direitos inalienáveis sejam restringidos ou rescindidos por qualquer motivo, incluindo a pandemia de COVID-19", afirmou o grupo em sua página no Facebook.

"Acreditamos que todos os americanos e todos os moradores de Michigan têm o direito de trabalhar para sustentar nossas famílias, viajar livremente, reunir-se para cultos religiosos e outros propósitos, reunir-se em protesto ao nosso governo e direcionar nossos próprios cuidados de saúde", destacou.

O protesto ocorreu um dia depois que um tribunal de Michigan decidiu que as diretrizes de confinamento emitidas por Whitmer em 24 de março não violavam os direitos constitucionais dos moradores, de acordo com relatos da mídia local.

Foi a segunda vez este mês que manifestantes exigiram que Whitmer levantasse as restrições no estado, que contabiliza mais de 3.500 mortos pelo coronavírus, segundo uma contagem da Universidade Johns Hopkins.

"Eu já disse isso antes, e direi novamente: Michigan é um lugar extraordinário para viver para as pessoas que o chamam de lar. Há milhões de habitantes de Michigan fazendo sua parte para impedir a disseminação da #COVID19 todos os dias. Nós vamos superar isso juntos", tuitou na quinta-feira à noite, sem comentar diretamente os protestos.