Protesto contra filme mata funcionário americano na Líbia

Um funcionário americano do consulado dos Estados Unidos em Benghazi morreu e outro ficou ferido em um ataque ocorrido na noite desta terça-feira, durante protesto de homens armados contra um filme que ofende o Islã, disse à AFP o vice-ministro líbio do Interior, Wanis al-Charef.

"Um funcionário americano foi morto e outro está ferido, na mão. Os demais membros do consulado foram evacuados sãos e salvos", revelou à AFP Wanis al-Charef, sem informar se a vítima fatal era um diplomata.

"Os manifestantes atacaram o consulado americano em Benghazi. Fizeram disparos para o ar antes de entrar no prédio", destacou Al-Charef.

Segundo Abdelmonoem al-Horr, porta-voz da Alta Comissão de Segurança do Ministério do Interior, disparos de lança-foguetes foram afetuados contra a representação diplomática na cidade do leste da Líbia.

Al-Horr informou que as forças de segurança tentavam controlar a situação quando foguetes RPG foram disparados contra o consulado a partir de uma propriedade próxima.

O porta-voz denunciou o ataque e chamou os agressores de "foras da lei", sem acusar um grupo em particular.

Wanis al-Charef confirmou que os manifestantes foram ao consulado em Benghazi para denunciar um filme ofensivo ao Islã. "Atacaram o consulado americano em Benghazi. Eles atiraram para o ar antes de entrar no prédio".

Um morador da região disse à AFP que "dezenas de manifestantes atacaram o consulado e incendiaram o prédio", em meio a vários disparos.

Outra testemunha confirmou os disparos em torno do consulado e revelou que homens armados, incluindo militantes salafistas, bloquearam as ruas que dão acesso ao prédio.

O Congresso Geral Nacional (CGN) líbio, a mais alta autoridade política do país, manifestou sua "indignação" e condenou "nos termos mais enérgicos" o ataque "criminoso" contra o consulado americano.

O CGN anunciou a abertura de "uma investigação imediata" e o presidente do Congresso, Yussef al Megaryef, pediu uma reunião de emergência com o governo de Abdelrahim al Kib.

O ataque foi uma reação ao mesmo filme denunciado por milhares de egípcios, a maioria salafistas, que protestaram nesta terça-feira diante da embaixada americana no Cairo, antes de arrancar a bandeira americana substituindo-a por uma islâmica.

Washington confirmou o ataque de militantes armados contra o consulado em Benghazi.

"Podemos confirmar que nosso consulado em Benghazi, na Líbia, foi atacado por um grupo de militantes", disse a porta-voz do departamento de Estado Victoria Nuland. "Condenamos nos mais firmes termos este ataque a nossa missão diplomática".

Segundo Nuland, oficiais americanos estão trabalhando com as autoridades líbias para garantir a segurança do consulado em Benghazi.

A porta-voz informou ainda que "no Cairo, podemos confirmar que a polícia egípcia retirou os manifestantes que assediaram nossa embaixada" nesta terça-feira, sem precisar se os dois protestos foram coordenados.

O estopim dos protestos foi o filme "Innocence of Muslims", realizado pelo americano-israelense Sam Bacile, que chama o islamismo de "câncer", revelou The Wall Street Journal.

"O islamismo é um câncer", afirma Bacile, um empresário do setor de construção de 52 anos proveniente do sul da Califórnia.

O filme, produzido a partir de doações de 100 judeus, está sendo promovido pelo polêmico pastor da Flórida Terry Jones, que já liderou manifestações de queima do Alcorão.

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