Manifestantes bloqueiam estradas após derrota de Bolsonaro

Caminhoneiros e outros manifestantes bloquearam várias rodovias no país nesta segunda-feira (31), em protesto pela derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de domingo para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - informaram as autoridades.

Rodovias de ao menos 11 estados e o Distrito Federal (DF) registraram bloqueios desde a madrugada, informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Em Santa Catarina, onde Bolsonaro obteve um amplo apoio, dezenas de manifestantes com camisetas amarelas, bandeiras do Brasil e cartazes com o rosto do presidente bloqueavam uma rodovia com caminhões e outros veículos.

Cantando o hino nacional, eles evitavam se identificar e falar com a imprensa, constatou um fotógrafo da AFP.

Não ficou claro no momento se algum grupo liderava os bloqueios, que também afetaram uma rodovia que liga Rio de Janeiro e São Paulo.

De acordo com o Ministério de Infraestrutura, a Polícia Rodoviária Federal estava intervindo para liberar as rodovias e ainda restavam 47 pontos com bloqueios.

Vários pontos no estado do Mato Grosso, amplamente favorável ao presidente, foram bloqueados pela manhã "por pneus queimados e veículos", como caminhões, carros e vans, informou a Concessionária Rota do Oeste, que administra uma rodovia neste estado.

Mais de 16 horas após o resultado oficial, Bolsonaro não se pronunciou sobre a vitória de Lula, que, no entanto, foi reconhecida por vários aliados do governo, além de inúmeros chefes de Estado estrangeiros.

Depois de perder por uma margem estreita (50,9%-49,1%), o presidente se limitou à residência oficial da Alvorada em Brasília e, nesta segunda-feira, partiu para o Palácio do Planalto, confirmou um fotógrafo da AFP.

No estado do Paraná, um grupo de manifestantes bloqueou outra rodovia, após autoridades desobstruírem pelo menos outros oito pontos durante a madrugada, informou a polícia.

Ainda que sem apoio de sindicatos e federações do setor, vários caminhoneiros autônomos protagonizaram protestos a favor do presidente nos últimos anos.

A mais importante foi em 2021, quando Bolsonaro convocou manifestações pelo Dia da Independência e fez ataques à Justiça, em um dos momentos de maior tensão institucional de seu mandato.

Cada mobilização deste setor reaviva o fantasma da greve de caminhoneiros, que paralisou o país por vários dias em 2018, em protesto contra a alta dos combustíveis e outra reivindicações durante o governo de Michel Temer (2016-2018).

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