Manifestantes entregam à justiça dinheiro deixado por presidente do Sri Lanka após fuga

Milhões de rupias abandonadas pelo presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, que fugiu de sua residência oficial, serão entregues à justiça do país nesta segunda-feira, segundo a polícia local. Os manifestantes, que ocupam o palácio presidencial desde sábado, encontraram no local 17,85 milhões de rupias (R$ 262 mil) em cédulas novas e entregaram a quantia às forças de segurança.

“A polícia recebeu o dinheiro em espécie e o entregará à justiça”, afirmou um porta-voz. Também foi encontrada no palácio presidencial uma mala repleta de documentos, segundo fontes oficiais.

Um dia após invasão: manifestantes se recusam a deixar residência presidencial do Sri Lanka

Clã: família de presidente do Sri Lanka domina política do país há décadas

O chefe de governo é considerado responsável pela crise econômica no país, que tem levado dezenas de milhares de pessoas às ruas em meio a protestos que pedem a sua renúncia e do primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe. Ele convocou uma reunião de emergência do governo para discutir uma “saída rápida” para a crise e afirmou estar disposto a renunciar pela “proteção dos cidadãos” e para dar lugar a um “governo de unidade nacional”.

Em comunicado, Wickremesinghe convidou membros do Parlamento e líderes dos partidos políticos – que convidaram o presidente a deixar o cargo neste sábado. Uma fonte da Defesa do Sri Lanka, no entanto, disse à AFP que Rajapaksa segue no cargo e foi transportado para um local secreto protegido pelo Exército.

— O presidente foi escoltado para um local seguro. Ele ainda é o presidente, está protegido por uma unidade militar — afirmou a fonte.

Vídeo: veja momento em que manifestantes invadem residência presidencial do Sri Lanka

Segundo as autoridades, cerca de 20 mil soldados e policiais foram enviados à capital para proteger o presidente. Na sexta-feira, a polícia impôs um toque de recolher para tentar dissuadir os manifestantes de irem às ruas. A medida, porém, foi suspensa depois que partidos da oposição, ativistas de direitos humanos e a Ordem dos Advogados do país ameaçaram processar a instituição.

Os acontecimentos foram o ponto máximo de uma onda de protestos no país, que fica na costa sul da Índia e enfrenta uma crise política e econômica sem precedentes, que os manifestantes atribuem ao governo do presidente Rajapaksa.

Centenas de milhares de pessoas se reuniram na capital, Colombo, para exigir que Rajapaksa assuma a responsabilidade pela escassez de remédios, alimentos e combustíveis, cenário que levou um país relativamente próspero ao cenário de caos.

Sri Lanka: presidente diz que deixará o cargo após dia de protestos furiosos

Depois de invadir o palácio presidencial, uma construção do período colonial, a multidão percorreu os ambientes luxuosos, várias pessoas pularam na piscina e vasculharam o guarda-roupa e os pertences de Rajapaksa. O presidente, de 73 anos, conseguiu escapar por uma saída lateral e foi levado em uma embarcação militar para uma base no nordeste da ilha, informaram fontes oficiais à AFP.

O chefe de Governo, também de 73 anos, se tornaria automaticamente presidente interino em caso de renúncia de Rajapaksa, mas afirmou que deixará o cargo se não existir consenso para a formação de um governo de unidade. Milhares de pessoas permaneciam ocupando nesta segunda-feira prédios oficiais invadidos no fim de semana.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos