Manifestantes prometem continuar protestos já na 4ª semana na Colômbia

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Manifestação em Bogotá

Por Nelson Bocanegra

BOGOTÁ (Reuters) - A onda de protestos antigoverno da Colômbia entrou na quarta semana nesta quarta-feira, quando sindicatos, grupos estudantis e outros recorreram a passeatas para exigir mudanças sociais em meio a conversas intermitentes entre o governo e organizadores de greves.

Os protestos têm sido marcados pela violência tanto da polícia quanto de civis. A Procuradoria-Geral confirma 15 mortes ligadas aos protestos, enquanto um grupo de direitos humanos computa mais de 40.

No início desta semana, o presidente colombiano, Iván Duque, ordenou a remoção dos bloqueios de vias de todo o país, que causam falta de alimento e gasolina.

As manifestações, convocadas inicialmente no final de abril contra um plano tributário já descartado, passaram a incluir exigências como uma renda básica, o fim da violência policial e oportunidades para os jovens.

Uma reforma de saúde também rejeitada por muitos manifestantes, que a criticaram por considerá-la vaga demais para provocar mudanças reais no frágil sistema de saúde da Colômbia, foi descartada por um comitê congressual conjunto também nesta quarta-feira.

Centenas de pessoas se reuniram na Praça Bolívar de Bogotá na hora do almoço.

"A Colômbia perdeu o medo, e continuaremos até haver mudanças reais, porque se não continuaremos sofrendo", disse Luis Carlos Garcia, professor de 35 anos que carregava o filho pequeno.

Ati Quigua, líder indígena arhuaca de 40 anos, afirmou estar protestando contra o assassinato de ativistas de direitos humanos com 50 membros de sua comunidade e disse que estão em uma "greve por tempo indeterminado".

Um comitê nacional de greve formado por grandes sindicatos, grupos estudantis e outros teve várias conversas com representantes do governo a respeito das exigências dos manifestantes, mas os dois lados ainda não estão realizando negociações formais.

Organizadores prometeram que, neste meio-tempo, os protestos continuarão.

A contração econômica resultante da pandemia de coronavírus anula avanços recentes contra a pobreza na Colômbia, fazendo o desemprego disparar, fechando negócios e obrigando o governo a aumentar o fardo de sua dívida.

Manifestações e bloqueios custam ao país cerca de 132 milhões de dólares por dia, disse o Ministério das Finanças, e analistas preveem que os protestos podem desacelerar a recuperação colombiana após uma contração econômica recorde de 6,8% no ano passado.

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