Manifestantes protestam após operação que deixou 25 mortos no Jacarezinho

·2 minuto de leitura
Manifestantes protestaram contra a violência policial que matou 25 pessoas na quinta - Foto: Reprodução/TV Globo
Manifestantes protestaram contra a violência policial que matou 25 pessoas na quinta - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Manifestantes exibiram faixas contra a violência policial após a ação que matou 25 pessoas na comunidade

  • Esta foi a operação mais letal da história do Rio de Janeiro

  • A ONU já pediu que seja aberta uma investigação para averiguar a operação

Manifestantes protestaram na manhã desta sexta-feira contra a violência policial na ação que deixou 25 mortos na comunidade de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, na última quinta. Esta foi a operação mais letal da história do estado.

De acordo com o G1, por volta das 7h30, os manifestantes ocupavam as duas faixas da Av. Dol Hélder Câmara. Eles saíram da estação Maria da Graça na Linha 2 do metrô e caminharam em direção à entrada da Cidade da Polícia, onde estão localizadas as delegacias especializadas da Polícia Civil.

Leia também

Justiça para Jacarezinho”, “fim do massacre nas favelas”, “maconha ilegal, na favela é letal”, “não vamos esquecer”, eram alguns dos dizeres dos cartazes levados pelos manifestantes. Em uma das ruas que dão acesso à comunidade, eles colocaram um pano preto, como forma de luto pelos mortos na operação.

A ação policial na última quinta fazia parte da Operação Exceptis, coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que investigava o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas como assassinatos, tráfico de drogas, roubos e sequestros de trens.

Manifestantes penduraram pano preto em sinal de luto - Foto: Reprodução/TV Globo
Manifestantes penduraram pano preto em sinal de luto - Foto: Reprodução/TV Globo

ONU pede investigação

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do escritório de Direitos Humanos, pediu que seja feita uma investigação independente sobre a operação.

Rupert Colville, porta-voz dos Diretos Humanos da ONU, classificou que há um histórico de uso “desproporcional e desnecessário” da força por parte da polícia. “Pedimos que o promotor conduza uma investigação independente e completa do caso de acordo com os padrões internacionais”, disse Colville durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

“A força só deve ser usada como último recurso e a polícia não tomou medidas para preservar as evidências na cena do crime”, declarou o porta-voz da ONU.

Poças de sangue nas ruas

Entidades como a Defensoria Pública, a Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj foram até o Jacarezinho para ouvir os moradores.

“O primeiro choque inicial foi a quantidade de sangue nas ruas”, relatou a defensora pública Maria Júlia Miranda. “Eram muitas poças. Relatos de violação de domicílio e de mortes neles. Muitos muros cravejados de bala, muitas portas cravejadas de bala.”

Policial morto

Entre os 25 mortos, 24 eram civis e um era policial, André Leonardo de Mello, que teria levado um tiro na cabeça. Em post no Facebook, a Secretaria de Polícia Civil afirmou que Frias "honrou a profissão que amava e deixará saudade".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos