Manifestantes protestam contra salários atrasados no Hospital Albert Schweitzer

Jan Niklas
Há cartazes chamando o prefeito Marcelo Crivella de caloteiro e mentiroso e o clima é de indignação no local

Um grupo de funcionários e acompanhantes de pacientes do Hospital Municipal Albert Schweitzer realiza na manhã deste sábado um ato em frente a entrada da unidade para exigir o pagamento de salários atrasados. Há cartazes chamando o prefeito Marcelo Crivella de caloteiro e mentiroso e o clima é de indignação no local.

Sem receber a dois meses, os funcionários entraram em greve. Segundo os organizadores do ato, todas os setores do hospital - incluindo a emergência - seguem funcionando, porém operam com a metade da capacidade. A redução da equipe levou ainda a piora do quadro de superlotação dos leitos e pacientes estão passando por uma triagem onde casos menos graves são orientados a procurar outras unidades de saúde.

Revoltada, a técnica em enfermagem Adriana Natália se emocionou ao falar sobre a precariedade da situação dos funcionários. Ela relatou que a maior parte dos colegas está com contas atrasadas e graves dificuldades financeiras por conta da falta de repasses pela Prefeitura.

— O prefeito está me adoecendo, está adoecendo a saúde do Rio de Janeiro — afirmou Adriana — Ele falou que ia cuidar da gente e como podemos trabalhar sabendo que não temos o que colocar mesa em casa? Estamos aqui atendendo por caridade e ele tem que vir dar a cara a tapa como eu estou dando e dar uma explicação a população.

Por volta de 9h40 a secretaria municipal de saúde, Beatriz Busch, chegou ao local para negociar com os funcionários:

— Precisamos esclarecer que o hospital está aberto. O assunto dos salários é público, há um processo vigente e temos que acatar as sentenças. Infelizmente, o Tribunal Superior do Trabalho acatou o pedido da AGU impedindo o pagamento. Eles chegaram a receber parte do pagamento. Agora, a prefeitura recorreu da decisão assim que teve ciência.

Alexandra de Sousa Matto, que está acompanhando a mãe Lurdes Claudino de Sousa Mattos, de 70 anos, internada por problemas na vesícula há três semanas, conta que a situação da unidade foi se deteriorando nos últimos dias:

— Tá faltando de tudo, até lençol tive que trazer de casa pra minha mãe. — afirmou Alexandra — Mesmo assim os funcionários que seguem trabalhando estão fazendo o melhor para tratar as pessoas.

Alguns pacientes estão relatando dificuldades para dar entrada no hospital. Com fortes dores e suspeita de fratura do braço, Ricardo Menezes disse que entrou e passou pela triagem, mas saiu sem passar por qualquer exame de ortopedista.

— E sou a favor de fazerem manifestação e cobrar os salários, porém é muita falta de humanidade não prestar o atendimento para quem está precisando — afirmou Menezes, que foi orientado a procurar o Hospital Rocha Faria.