Manifestantes protestem na sede da Prevent Senior: 'óbito não é alta'

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Foto: Guilherme Gandolfi/Futura Press/Estadão Conteúdo
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  • Ato levou cartazes com frases como 'Bolsonaro genocida'

  • Eles jogaram tinta vermelha no prédio e escreveram 'assassinos' na calçada

  • Empresa registrou BO por pichação

Na manhã desta quinta-feira (30), um grupo de manifestantes realizou um protesto em frente à sede da operadora de saúde Prevent Senior, em São Paulo, no bairro Paraíso. O grupo pedia por "justiça aos mortos da covid-19".

A empresa é investigada em diversas instâncias por diversos crimes, a partir de documentos e acusações de médicos. Entre as infrações, está a ocultação de mortes por covid em estudo, falsificação de atestados de óbitos e a promoção de tratamentos ineficazes contra a covid-19, sobrepondo muitas vezes à autonomia de médicos.

Os manifestantes, que integram a organização civil Levante Popular da Juventude, carregavam cartazes com frases como "óbito não é alta" e "Bolsonaro Genocida", além de jogarem tinta vermelha no edifício. Eles também escreveram "assassinos" com tinta branca na calçada em frente à sede.

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Um cartaz que imita uma embalagem de remédio trazia escrito "kit covid", "assassinato premeditado", "contém 30 mortes em comprimido" e "venda sob prescrição do governo genocida".

Durante o ato de 15 minutos, os manifestantes gritaram: "Prevent assassina" e "a Prevent mata e chama óbito de alta".

 "Não queremos que uma empresa como essa seja referência de um governo no combate à pandemia. A gente quer a valorização do SUS e cuidado para que o povo brasileiro possa ter segurança", explicou Júlia Aguiar, coordenadora nacional do Levante Popular da Juventude.

A polícia chegou depois que os manifestantes já haviam ido embora. A Prevent Senior registrou Boletim de Ocorrência para pichação.

As denúncias e investigações contra a Prevent Senior

Nesta quinta-feira (29), a Justiça de São Paulo determinou que a operadora de saúde Prevent Senior deve pagar R$ 1,92 milhão para a família do aposentado Carlos Alberto Reis, 61 anos, que tomou o "kit Covid" após ser internado em uma unidade hospitalar da operadora de saúde. Segundo o juiz, não houve atendimento adequado para o paciente, que estava em condições graves.

Bruna Morato, advogada de médicos da Prevent Senior, resumiu, em seu depoimento à CPI da Covid no Senado nesta terça-feira (28), que a estratégia da operadora de saúde tinha como objetivo a “convergência” com a ideologia do governo.

Morato citou um “alinhamento ideológico” como o Ministério da Economia para oferecer “esperança” às pessoas. Por isso, houve um "pacto" com médicos do chamado "gabinete paralelo" de aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia com a Prevent Senior.

O Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP) criou uma força-tarefa no dia 23 de setembro para apurar as denúncias de irregularidades contra a operadora de saúde Prevent Senior. Mario Sarrubbo, procurador-geral de Justiça, pediu “atenção total” ao caso.

Até agora, a empresa já é investigada no MP, na Polícia Civil e na CPI da Covid por supostamente ter pressionado seus médicos conveniados a tratar pacientes com os medicamentos encontrados no “kit covid”, também conhecido como “tratamento precoce”, que inclui, entre outros, a hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz contra a doença.

Depoimentos mostram que a Prevent se alinhou ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desde o começo da pandemia promoveu medidas e medicamentos sem comprovação científica. 

Há também investigações sobre a Prevent correndo em órgãos de defesa do consumidor e na Agência Nacional de Saúde Suplementar. A operadora também enfrenta acusações por conduzir um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina sem notificar pacientes e seus familiares. O estudo teria, ainda, omitido mortes de pacientes, para tentar influenciar resultados que mostrassem que o medicamento seria eficaz.

A operadora também é acusada de receitar medicamentos para câncer de próstata e artrite reumatoide para pessoas com covid-19, sem respeitar bula dos remédios ou ter aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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