Manifestantes são expulsos da sede do Ministério da Cultura de Cuba

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Foto de grupo de jovens intelectuais e artistas às portas do Ministério da Cultura durante um protesto em Havana, em 27 de novembro de 2020

Cerca de trinta manifestantes cubanos foram expulsos na manhã desta quarta-feira (27), quando se encontravam em frente à sede do Ministério da Cultura em Havana, dois meses depois de um protesto histórico diante dessa instituição, informaram as autoridades cubanas.

Em nota divulgada no noticiário da televisão estatal, o Ministério da Cultura (Mincult) indicou que trabalhadores daquela instituição "confrontaram [os manifestantes] e os expulsaram do local".

Um jornalista da AFP descobriu que os arredores do ministério estavam cercados por policiais uniformizados e à paisana, bem como por algumas patrulhas policiais, e que um grupo de manifestantes foi removido em um ônibus oficial.

De acordo com o ministério, três porta-vozes “designados” de um grupo de jovens artistas e intelectuais tinham um encontro marcado para dialogar, mas as autoridades pediram que outras 30 pessoas que compareceram e ficaram do lado de fora do ministério se retirassem.

Diante da negativa de deixar o local, segundo o comunicado, o vice-ministro da Cultura, Fernando Rojas, os convidou a entrar na dependência para falar sobre as denúncias dos jovens de que alguns de seus colegas tinham sido impedidos de sair de casa mais cedo. Um convite que também recusaram.

“Diante da recusa e da evidente intenção de criar-se um show midiático, os trabalhadores da organização entraram em confronto e expulsaram o grupo do local”, informou o comunicado transmitido pela televisão.

Em um vídeo publicado pelos mesmos manifestantes no Twitter, observa-se como o Ministro da Cultura, Alpidio Alonso, tem uma forte discussão com os jovens, pouco antes de serem expulsos do local.

À noite, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou em uma mensagem no Twitter que os ministérios de Cuba "não são plataformas midiáticas" e acrescentou que "não é honesto quem se esconde na arte para provocar, assediando instituições e funcionários públicos, enquanto a nação luta contra o bloqueio, pandemia e morte".

A embaixada dos Estados Unidos em Cuba expressou posteriormente sua preocupação com "informes de que funcionários cubanos agrediram manifestantes pacíficos que buscavam a liberdade de expressão" e a libertação de seus colegas detidos.

"Instamos o governo a escutar e dialogar com seu povo ao invés de recorrer a detenções, violência e o corte da Internet", acrescentou a representação diplomática.

Os manifestantes expulsos estão entre os 300 artistas, incluindo alguns membros do Movimento San Isidro (MSI), que fizeram uma manifestação em frente ao Mincult em 27 de novembro para exigir o diálogo pela liberdade de expressão e criação na ilha.

Em nota divulgada nesta quarta-feira em sua página do Facebook, o chamado Movimento 27N enfatiza que "não renunciamos às demandas daquela noite", e exige "o fim do assédio, da repressão, da censura, do descrédito, da difamação, assim como de atos de repúdio contra seus membros."

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