Manifestantes vão às ruas pelo país em atos contra Bolsonaro

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People take part in a demonstration called by right-wing groups and parties to demand the impeachment of Brazilian President Jair Bolsonaro, at Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil, on September 12, 2021. (Photo by DOUGLAS SHINEIDR / AFP) (Photo by DOUGLAS SHINEIDR/AFP via Getty Images)
Pessoas participam de uma manifestação convocada por grupos de direita e partidos para exigir o impeachment do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil, em 12 de setembro de 2021. (Foto: DOUGLAS SHINEIDR / AFP via Getty Images)

Manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro convocadas pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e pelo VPR (Vem Pra Rua) ocorrem em diferentes capitais do país neste domingo (12), com adesões na oposição para além da direita. 

Pela manhã, houve atos no Rio e em Belo Horizonte e, à tarde, em São Paulo, com adesão ainda tímida, inferior à da mobilização bolsonarista no 7 de Setembro. 

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Foram previstas passeatas em 15 capitais, com foco especial dos mobilizadores para as cidades que tiveram grandes multidões na terça-feira passada, com as manifestações bolsonaristas do 7 de Setembro, que incluíram bandeiras antidemocráticas e discursos autoritários de Bolsonaro. 

Apesar da adesão de alguns partidos e grupos de esquerda, a principal resistência se dá no PT, que guarda mágoas com os dois grupos organizadores pelos protestos em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e se incomodaram com o mote "nem Bolsonaro nem Lula", depois atenuado, na divulgação dos novos atos.  

SÃO PAULO 

A manifestação convocada pelo MBL e pelo VPR começou com um público menor do que o dos outros protestos realizados contra o presidente na avenida Paulista. 

A maior concentração ocorre na esquina da avenida Paulista com a alameda Casa Branca, ao lado do Masp, na frente do carro de som do MBL. 

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Os manifestantes, porém, não chegavam a ocupar metade de um quarteirão. 

A Paulista ficou completamente fechada para os carros, com o bloqueio de suas duas pistas, entre a rua Augusta e a alameda Campinas. 

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou no início da tarde que irá à manifestação

"Eu estarei presente. Sou brasileiro, democrata, e não importa em que circunstância, estarei sempre ao lado da verdade, ao lado da verdadeira bandeira brasileira e dos valores que nos movem em defesa da democracia", disse o tucano em coletiva de imprensa na sede do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar de SP).  

Aliás, hoje a Paulista estará com as bandeiras certas, as que promovem e defendem a democracia, os valores de um país e ao mesmo tempo as instituições e a vacina [contra a Covid-19]." 

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"Hoje não teremos na Paulista pessoas que defendem corrupção, rachadinha, milícia, negacionismo, a ditadura, a incompetência, o populismo e a demagogia."  

RIO DE JANEIRO 

Com a execução do hino nacional, o ato convocado contra Bolsonaro na orla de Copacabana neste domingo, no Rio, terminou por volta das 13h. 

Organizada por grupos que apoiaram a candidatura de Bolsonaro em 2018 e posteriormente se afastaram do presidente, a manifestação foi marcada pela pluralidade de bandeiras, que reuniu de movimentos liberais como o MBL e o VPR a partidos e organizações de esquerda, como o PDT, a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). 

Nem a Polícia Militar nem os organizadores divulgaram estimativa de público, mas a presença foi visivelmente menor do que a registrada no ato pró-Bolsonaro do último dia 7, também na orla carioca. 

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Em carros de som, representantes das entidades participantes se alternaram em discursos contra o presidente, chamado, entre outros adjetivos, de "corrupto", "traidor", "quadrilheiro" e "miliciano". 

Também houve críticas à política econômica de Paulo Guedes, chamado de "pseudoliberal", e à atuação de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados e responsável pela abertura de um eventual processo de impeachment na Casa. 

Predominantemente vestidos de branco, manifestantes condenaram as ameaças de Bolsonaro ao STF, fizeram críticas à ditadura militar e menções à memória do ex-deputado federal Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte que promulgou a Constituição de 1988. 

"Foi um ato democrático", diz Cadu Moraes, coordenador do MBL no Rio. "Nós temos uma pauta de direita, liberal, e abrimos espaço para movimentos como PC do B, Acredito, Livres, UJS (União da Juventude Socialista). Todos foram bem-vindos porque a pauta é única: 'Fora, Bolsonaro'." 

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Apesar do mote "Nem Lula nem Bolsonaro", lido nas camisas do Vem pra Rua, não houve consenso entre manifestantes sobre a condenação à Lula, cujo rosto era visto em camisas à venda por ambulantes na orla. 

Em discurso, o secretário municipal de Governo e Integridade Pública do Rio e deputado federal licenciado Marcelo Calero (Cidadania-RJ) recusou a comparação. 

"Não me venham com falsa simetria. Eu não aceito dizer que o governo do PT foi igual. É mentira. Estivemos em campos opostos, mas todos jogaram a bola da democracia", disse. "Nós não aceitamos esses fascistas, nós não aceitamos esses neo-nazistas", afirmou. 

BELO HORIZONTE 

Apesar de reconhecer que a presença de público não foi "das maiores", Claudio Pereira, coordenador do MBL em Minas Gerais, considerou positivo o ato na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.  

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 "A manifestação fez o que se propôs. É a primeira de muitas que vão acontecer e cada vez maiores, à medida que as pessoas forem se engajando e perdendo o medo de se manifestar, direita e esquerda", diz. Além de lideranças do MBL e do Acredito, também discursaram em Belo Horizonte parlamentares de partidos como Novo e Rede. 

Os organizadores pediram que os manifestantes não trouxessem bandeiras e faixas de partidos. Segundo Pereira, apenas o PDT não seguiu a recomendação.

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