Manifestantes voltam às ruas contra reforma da Previdência na França

Por María Elena BUCHELI
Franceses vão às ruas de Paris contra reforma da Previdência, em 16 de janeiro de 2020

Os sindicatos franceses que se opõem à controversa reforma previdenciária do presidente Emmanuel Macron voltam às ruas nesta quinta-feira (16), após seis semanas de manifestações e uma greve nos transportes que perde força.

Várias manifestações estão previstas em toda França, mas a principal ocorrerá em Paris no início da tarde.

Em Marselha, a segunda maior cidade da França, milhares de pessoas começaram a desfilar no final da manhã, atrás de uma enorme faixa que dizia "Sem negociação! Retirada do projeto Macron!".

É a sexta vez desde o início de dezembro que os sindicatos convocam um dia interprofissional de greves e manifestações na França. Desta vez, o CFDT não participará, depois de ter concordado em retomar as negociações com o governo que cedeu temporariamente a uma das medidas mais sensíveis do texto.

Para os demais sindicatos, que exigem a retirada total da reforma, este dia será crucial após uma queda na participação nas últimas manifestações.

No quinto dia de protestos, em 11 de janeiro, a polícia contabilizou 149.000 manifestantes, depois de 452.000 em 9 de janeiro e 805.000 na primeira manifestação em 5 de dezembro.

O movimento ainda conta, porém, com amplo apoio popular. De acordo com uma pesquisa divulgada na quarta-feira, 47% dos franceses continuam a apoiar as ruas.

Nos transportes públicos, ponta de lança da mobilização por mais de 40 dias, o tráfego continua a melhorar. Nos trens de alta velocidade que ligam as principais cidades da França, o tráfego era quase normal. No metrô de Paris, há uma clara melhoria, embora várias linhas ainda estejam funcionando parcialmente, e algumas estações continuem fechadas.

"No início da greve, foi um inferno. Por vários dias não havia um único trem. Mas a situação está melhorando", disse Julien Diep, de 30 anos.

- Portos bloqueados -

Vários portos marítimos, incluindo o de Marselha e o de Le Havre, os dois principais da França, estão bloqueados desde terça-feira por grevistas que rejeitam a reforma previdenciária.

"É dramático! Já fazia muito tempo que não tínhamos tantas greves. Em dezembro, tivemos 25% menos paradas, e a tendência para janeiro é de 40% menos", declarou à AFP a presidente do grupo de armadores e agentes marítimos de Le Havre, Véronique Lépine.

Alguns pais também encontraram escolas fechadas, com 6,6% dos professores em greve no ensino fundamental, e 6,83%, no ensino médio, segundo o Ministério da Educação, ante 18,81% e 16,49%, respectivamente, na quinta-feira passada.

Projeto estelar da Presidência de Macron, a reforma previdenciária prevê unificar os 42 regimes atuais e estabelecer um novo sistema de cálculo, por pontos, adiando a idade de aposentadoria integral para 64 anos.

Diante da oposição sindical, o governo retirou provisoriamente esse segundo ponto, mas exige em troca que as organizações sindicais e de empregadores encontrem soluções alternativas para garantir o equilíbrio do sistema de pensões.

Enquanto isso, a reforma continua sua trajetória e será apresentada ao Conselho de Ministros em 24 de janeiro, antes de iniciar sua discussão parlamentar em 17 de fevereiro, com vistas à sua aprovação antes do verão.