Manifesto lembra '19 milhões com fome' e cobra reabertura do Restaurante Popular do Betinho, abandonado desde 2016

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Pratos e marmitas estiveram, nesta quarta-feira, pregados ao lado de uma faixa escrito "19 milhões de brasileiros estão passando fome", na entrada do antigo Restaurante Popular do Betinho, inaugurado em 2000, e que está fechado desde 2016, e funcionava ao lado da Estação Central do Brasil, no Centro. O espaço ainda existe, mas a situação em que se encontra é de completo abandono. O ato, realizado pela Frente Parlamentar contra a Fome da Câmara dos Vereadores do Rio, é para cobrar uma atuação concreta do governo e do município para a reabertura do espaço, que servia mais de 3 mil quentinhas a preço de R$ 2 reais para pessoas em vulnerabilidade na época da inauguração. Ao final, 500 quentinhas foram distribuídas na Praça do Cajueiro, pelo projeto Ação da Cidadania, que existe há 28 anos combatendo a fome no país.

Na última semana de outubro, em uma audiência pública na Câmara organizada pela Frente Parlamentar, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos anunciou que, ainda em dezembro deste ano, a unidade que fica localizada na Central do Brasil seria reaberta. Até o momento, segundo o vereador Dr. Marcos Paulo, presidente da Frente, não há planejamento para o retorno das atividades:

— Esse restaurante aqui, se estivesse aberto, faria 21 anos. A gente quer que o governo cumpra o que prometeu. Mas só esse ainda é muito pouco. Nós estamos saindo de uma pandemia, que aconteceu a partir de 2020, porém a fome já aparece há bastante tempo, bem antes da Covid-19.

Atualmente, há três unidades abertas na cidade do Rio: em Bonsucesso, na Zona Norte, e em Bangu e Campo Grande, na Zona Oeste. Em uma vistoria da Frente, parlamentares citaram que as condições do espaço são tão complexas quanto as das que estão fechadas. Em Campo Grande, a última vistoria da Frente constatou caldeira quebrada e entupimento de calhas. Já em Bonsucesso, pessoas em situação de vulnerabilidade foram vistas morando no andar de cima do restaurante.

Outras cinco unidades estão fechadas: Irajá, Méier, Madureira, Central e Cidade de Deus.

Para o presidente do Conselho da Ação da Cidadania, Daniel Souza, filho de Hebert de Souza, o Betinho, idealizador do Ação e que deu o nome ao restaurante, é de completa tristeza ver, não só o que leva o nome em homenagem ao pai, como outros vários espalhados pela cidade sem qualquer tipo de atenção:

— Em um momento como esse, que a gente vem do período em que estamos vindo, ter o primeiro restaurante popular criado e hoje fechado, em estado crítico, é péssimo. Poderia ajudar tanto, tanta gente. É uma ação que poderia estar ajudando junto com outras iniciativas.

Para suprir a falta de atenção do poder público para políticas de combate a fome, ele conta que o Ação passou a fazer, desde o início da pandemia, em março de 2020, ações mais recorrentes pela cidade, com a arrecadação de verbas e prestação de assistência a entidades não governamentais para a distribuição de alimentos.

O Ação da Cidadania aceita doações em qualquer período do ano pelo site: natalsemfome.org.br

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