Manipulação genética: uma aposta desesperada para salvar os corais na Flórida

·2 min de leitura

Um pedaço de coral brilha como o ouro em um laboratório da Flórida, nos Estados Unidos, onde os cientistas tentam ajudar a espécie a se proteger das mudanças climáticas através da manipulação genética, uma aposta desesperada, mas necessária, segundo especialistas.

Os pesquisadores tentam determinar se o transplante de células-tronco de variedades de corais mais resistentes ao aumento da temperatura e da acidificação dos oceanos pode salvar os exemplares mais vulneráveis.

"Os corais estão morrendo a um ritmo alarmante e não são capazes de fazer frente à mudança climática", disse Nikki Traylor-Knowles, líder da equipe encarregada do estudo na Universidade de Miami. "Neste momento, temos que tentar de tudo e ver o que funciona", acrescentou.

O projeto é uma das muitas iniciativas apoiadas pela ONG Revive and Restore, sediada em San Francisco, que considera a manipulação genética uma ótima ferramenta para conservar as espécies vegetais e animais em perigo de extinção.

Ao longo da história da Terra, os organismos sobreviveram evoluindo e se deslocando para lugares com temperaturas e hábitats mais adequados à sua existência. No entanto, a mudança climática está alterando o meio ambiente de forma muito rápida, fazendo com que este mecanismo natural de adaptação seja insuficiente.

O tempo está acabando, adverte Ryan Phelan, cofundador da Revive and Restore. "Vamos ter que intervir ou vamos perdê-los", disse.

A preocupação com os corais é um tema importante, pois os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor liberado pelas emissões de gases do efeito estufa, protegendo a Terra. No entanto, ao fazê-lo, eles acabam gerando também ondas de calor oceânicas de longa duração, que levam muitas espécies de corais ao limite.

De acordo com um relatório da Rede Mundial de Vigilância de Recifes de Coral (GCRMN, na sigla em inglês), o aquecimento global, a poluição e a pesca com explosivos, combinados, foram responsáveis pela destruição de 14% dos recifes de coral do mundo entre 2009 e 2018.

Para Henry Greely, professor de direito especializado em ciência e genética da Universidade de Stanford, na Califórnia, a conservação de espécies em perigo, entre elas os corais, justifica o uso da manipulação genética, apesar do risco de alterar plantas e animais com consequências imprevisíveis para a natureza.

"Apoio este enfoque, se for feito com cuidado, dentro das normas adequadas e com precaução", opinou.

Outro especialista, Gregory Kaebnick, do instituto de pesquisa científica The Hastings Center, também é favorável à engenharia genética nos organismos. Para ele, o risco de algo dar errado é menor que o de não fazer uma mudança duradoura e efetiva.

"Não me agrada muito a ideia de modificar os corais para que eles sobrevivam, mas talvez seja necessário fazê-lo", concluiu.

gc/jm/md/dax/fff/ob/gma/gm/rpr

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos