Mansão que Bolsonaro morou foi comprada com 'dinheiro por fora', diz ex-funcionário

Presidente Jair Bolsonaro morou em mansão com ex-esposa entre os anos de 2002 e 2007. (Foto: albari rosa / AFP)
Presidente Jair Bolsonaro morou em mansão com ex-esposa entre os anos de 2002 e 2007. (Foto: albari rosa / AFP)
  • Documentos dizem que mansão foi comprada por valor muito abaixo do que vale

  • Ex-esposa de Bolsonaro, Ana Cristina, teria confidenciado o crime ao ex-funcionário

  • Ao menos 51 imóveis foram negociados com dinheiro vivo pela família Bolsonaro

Um ex-funcionário da família Bolsonaro revelou que a segunda ex-mulher do presidente, Ana Cristina Siqueira Valle, disse a ele que a mansão onde o casal morou, na Barra da Tijuca (RJ), entre os anos de 2002 e 2007, foi paga com "dinheiro por fora".

A casa foi comprada em 22 de novembro de 2002. No documento de compra, consta que o imóvel custou R$ 500 mil, um desconto de 43% em relação ao valor de avaliação para cálculo de imposto no total de R$ 874,1 mil. As informações são do portal UOL.

O ex-funcionário, Marcelo Nogueira, contou em entrevista ao portal que encontrou o documento das tratativas de compra e se surpreendeu com o valor baixo, dadas as características da mansão, ao que Cristina teria dito: "É que sempre tem um por fora, né?". Hoje, o imóvel vale quase R$ 3 milhões.

"Quando ela comprou aquela casa da Barra, na época, por R$ 500 mil, na documentação. Só que foi mais. Que foi dado em dinheiro vivo, por trás", denunciou Nogueira.

A mansão está entre os imóveis listados no levantamento do portal UOL, publicado na última terça-feira (30). São 107 imóveis negociados pelo presidente, irmão, mãe e filhos, dos quais 51 foram comprados com dinheiro vivo - total ou parcialmente.

Bolsonaro e Cristina se separaram em 2007, quando o presidente vendeu a mansão para comprar outra, no mesmo bairro, no condomínio Vivendas da Barra, onde vive com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Esta casa foi comprada por R$ 409 mil, segundo consta nos documentos, mesmo sendo avaliada em R$ 1 milhão.

Marcelo Nogueira atuou como assessor de gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual, entre os anos de 2003 e 2007.

Compra de imóveis com dinheiro vivo

A revelação foi feita em reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30). Desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

Esse tipo de transação pode indicar lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio. Inclusive, há uma proposta sendo debatida no Senado para proibir essa modalidade de pagamento. O texto, no entanto, está há um ano na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

Além disso, não é possível saber como foi feito o pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil, ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos. De acordo com o portal UOL, esta informação não está disponível nos documentos de compra e venda.

A compra de 30 imóveis foi feita com transações por meio de cheque ou transferência.