Mansur: O Palmeiras e seus desafiantes no returno do Brasileirão

Quatro pontos de vantagem na liderança, com um turno inteiro por jogar, não são suficientes para dar garantia de título. Mas a vantagem do Palmeiras tampouco é desprezível: das 19 edições já disputadas do torneio em pontos corridos, em 15 o campeão do primeiro turno conquistou o título ao final da caminhada. O caso é que o Palmeiras tem a seu favor algo além da pontuação. Numa competição cercada por interrogações, que vão do calendário às profundas alterações nos elencos após a janela de transferências, o time de Abel Ferreira também tem as suas. Mas parece ter, a esta altura, mais certezas do que seus perseguidores.

É verdade que só agora o Palmeiras pôde estrear os dois atacantes que, por longo tempo, buscou no mercado. E tanto López quanto Merentiel ainda parecem em adaptação. Não é possível cravar o quanto vão fazer o nível ofensivo da equipe subir. Além disso, o elenco não é numeroso, há escassez de atacantes de velocidade e desníveis entre titulares e reservas em alguns setores.

Mas quando se examina o jogo, não há time com modelo tão consolidado quanto o Palmeiras. É possível gostar mais ou menos de suas exibições, mas o tempo e a capacidade de Abel Ferreira deram ao líder do Brasileiro as tais certezas: sobre como vai se comportar e sobre como tentará ganhar. É especialmente forte ao roubar bolas e atacar rápido, e tem um arsenal quase interminável de soluções em bolas paradas. Evoluiu ao tentar bater defesas fechadas, ainda que esta não seja sua melhor faceta. O fato é que, hoje, é difícil imaginar um Palmeiras com oscilações graves.

O Corinthians, mais próximo perseguidor, merece atenção: há motivos para enxergar na equipe de Vítor Pereira potencial para pontuar mais no returno do que no turno. O time conseguiu se manter perto do líder mesmo sob uma epidemia de lesões. Agora, vê os mais experientes retornarem gradativamente, recebeu Yuri Alberto e, aos poucos, dá armas para seu técnico realizar o tipo de jogo mais ofensivo em que acredita. Ainda assim, o Corinthians completo é um time que, por ora, mal jogou: existe mais no imaginário do que no mundo real. É um projeto, enquanto o Palmeiras é uma obra consolidada.

Dono de mais uma grande atuação na rodada, o Fluminense vive a constante dúvida sobre qual o teto deste time. O maior investimento do clube nos últimos anos permitiu a Fernando Diniz montar um time bonito de ver, afeito à bola e à criação de chances de gol. Mas é um trabalho de menos de três meses que, para ser campeão, precisa tirar cinco pontos de diferença para um Palmeiras montado por Abel nos últimos 20 meses. Precisa vencer o desafio da consistência, superar um elenco curto em algumas posições e os gols concedidos com facilidade nas últimas partidas.

Por falar em dúvidas, o Atlético-MG vive a expectativa do casamento reatado. Entretanto, por mais que Cuca e o elenco tenham protagonizado uma temporada exemplar em 2021, o futebol não oferece garantias de que o mero reencontro do mesmo técnico com os mesmos jogadores fará ressurgir, num toque de mágica, os mesmos comportamentos do ano passado.

E há o Flamengo, talvez o time que mais cresceu nas últimas rodadas, um time com talento de sobra para ganhar muitas partidas e somar muitos pontos. Mas ao fato de ser ainda um recorte recente de boas atuações, somam-se os nove pontos de desvantagem em relação ao Palmeiras, o que deve exigir um aproveitamento próximo dos 75% no returno — até aqui, tem 52,6%. E ainda que o Flamengo o faça, seria obrigado a torcer para que o Palmeiras não passe dos 33 pontos na segunda metade do Brasileiro.

O campeonato está aberto, mas será a solidez do Palmeiras que ditará o tamanho da tarefa dos perseguidores.

Alerta

Por 45 minutos, o bem montado Avaí de Eduardo Barroca bloqueou a saída de bola e explorou a dificuldade que times montados com um losango no meio-campo costumam ter para marcar os lados do campo. Ainda assim, o Flamengo criou as melhores oportunidades e mereceu a virada. A mudança de Dorival Júnior no intervalo concentrou jogadores talentosos na frente, ainda que tenha deixado o jogo muito aberto. Mas a disposição ofensiva foi recompensada.

Tensão Evitável

O Fluminense poderia ter chegado aos minutos finais do jogo com o Bragantino sem precisar temer pelo resultado. Afinal, foram quase 70 minutos de um domínio avassalador, através de posse de bola e envolvimento do rival. Mas em jogos recentes o time tem sofrido gols sem que o rival precise criar tanto: foram sete em quatro jogos do Brasileiro. Ainda assim, pertencem ao Fluminense algumas das melhores exibições deste campeonato.

Cargo Vago

Quarenta dias depois, o Vasco volta ao mesmo lugar: procura um técnico. E com as mesmas dificuldades que conduziram Maurício Souza ao posto em junho: o projeto da SAF caminha, o escolhido pode temer uma nova reestruturação do futebol e, por ora, há poucos recursos para buscar nomes com mais peso. A escolha em conjunto com a 777, futura parceira, é essencial para fazer do posto de treinador vascaíno um cargo atraente e aparentemente mais seguro

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