Mantega deixa equipe de transição de Lula e acusa 'adversários interessados em tumultuar'; Veja a carta na íntegra

Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, renunciou na tarde desta quinta-feira ao posto que teria na equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele atuaria no grupo do presidente eleito que trata do planejamento. A renúncia do ex-ministro foi antecipada pelo jornal "Folha de S. Paulo".

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Em uma carta enviada ao vice-presidente eleito e coordenador da transição, Geraldo Alckmin (PSB), ele agradeceu o convite e justificou que o motivação foi "adversários interessados em tumultuar a transição e criar dificuldades para o novo governo".

Mantega é economista. Foi ministro do Planejamento Orçamento e Gestão no governo Lula, presidente do BNDES e ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. Alckmin, segundo a assessoria de imprensa da transição, ligou para Mantega e agradeceu o gesto.

Na carta, Mantega cita processo do Tribunal de Contas da União (TCU), no qual foi responsabilizado "indevidamente" por ter participado das pedaladas fiscais que culminaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Ele argumenta ainda que aceitou fazer parte da equipe de transição como voluntário, "colaborador não remunerado, sem cargo público, para não contrariar a decisão" que o impde de exercer cargo público por oito anos.

"Diante disso, resolvi solicitar meu afastamento da Equipe de Transição, no aguardo de decisão judicial que irá suspender os atos do TCU que me afastaram da vida pública", disse Mantega.

Em entrevista à Globo News na semana passada, Mantega confirmou que pediu ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para segurar a indicação do economista brasileiro Ilan Goldfajn para a presidência da instituição.

Ex-presidente do Banco Central, Ilan é economista renomado e foi indicado ao cargo pelo ministro da Economia do atual governo, Paulo Guedes.A interferência de Mantega causou mal estar no futuro governo no atual e no mercado. A direção do BID ignorou o pedido do ex-ministro.

Como ministro da Fazenda, Mantega intensificou as medidas de estímulo à economia da chamada Nova Matriz Econômica, com redução de impostos, como de IPI para automóveis, corte de tarifa de energia e de juros nas operações de credito por bancos públicos e controle dos preços dos combustíveis.

Ele deixou o cargo no fim de 2014 e foi substituído por Joaquim Levy. A troca teve como objetivo combater a crise na economia e reduzir o desequilíbrio das contas públicas.

Fora do governo, além da investigação do TCU, Mantega foi alvo da operação Zelotes da Policia Federal que apurou o cancelamento de multas para favorecer empresas no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (CARF) e na Operação Lava-Jato no processo sobre irregularidades na Petrobras.

Leia a íntegra da carta:

Prezado Vice-presidente

Geraldo Alckmin

Coordenador Geral da Equipe de Transição

Aceitei com alegria o convite para participar do Grupo de Transição, na certeza de poder dar uma contribuição para a implantação do governo democrático do presidente Lula.

Entretanto, em face de um procedimento administrativo do TCU, que me responsabilizou indevidamente, enquanto ministro da Fazenda, por praticar a suposta postergação de despesas no ano de 2014, as chamadas pedaladas fiscais, aceitei trabalhar na Equipe como colaborador não remunerado, sem cargo público, para não contrariar a decisão que me impedia de exercer funções públicas por 8 anos.

Mesmo assim essa minha condição estava sendo explorada pelos adversários, interessados em tumultuar a transição e criar dificuldades para o novo governo.

Diante disso, resolvi solicitar meu afastamento da Equipe de Transição, no aguardo de decisão judicial que irá suspender os atos do TCU que me afastaram da vida pública. Estou confiante de que a justiça vai reparar esse equívoco, que manchou minha reputação.

Agradecendo a confiança,

Atenciosamente,

Guido Mantega