Mantega diz que não será ministro: 'Saio da vanguarda e fico na retaguarda'

Ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, Guido Mantega afirmou nesta sexta-feira (dia 11) que não será ministro do novo governo, comandado pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Indicado para integrar o núcleo temático do Planejamento da transição, o nome dele enfrenta fortes resistências no mercado financeiro.

— Eu não serei ministro, já estou indicando. Já fui ministro do Planejamento, já fui ministro da Fazenda e não pretendo mais ser ministro. Saio da vanguarda e fico na retaguarda ajudando com conselhos e tal — disse Mantega em entrevista para a GloboNews.

Ele também afirmou que o próximo titular da Fazenda que será escolhido terá que “se enquadrar” na política que for definida por Lula.

— O que vai ser definido agora são detalhes — disse.

Mantega comentou às críticas de Lula ao teto de gastos e ao que o presidente eleito chamou de "tal estabilidade fiscal". A declaração do petista derrubou a Bolsa e provocou aumento do dólar. Para Mantega, o trabalho dos economistas selecionados para participar da área econômica da transição será suficiente para acalmar o mercado. São eles os ex-presidentes do BNDES André Lara Resende e Pérsio Arida, ambos com perfil liberal, e Nelson Barbosa e Guilherme Melo, ligados ao PT.

— Eu acredito que os quatro colegas que estão na transição poderão dar contribuições à questão de definição da política fiscal com mais detalhes, aí o mercado pode ficar tranquilo porque o presidente falou ontem: 'Eu fui o presidente mais responsável em termos fiscais deste país' — lembrou.

O ex-ministro disse ainda que a construção do programa de governo contou com contribuição de todos os aliados e os que apareceram recentemente também poderão dar “opinião”.

— Foi um programa que contou com a colaboração de todos os aliados e outros aliados foram acrescentados agora e darão a sua opinião e você ai ter uma política econômica de fato da coalizão — disse.