Manu Gavassi lança disco após quatro anos e diz: 'Quase desisti de ser cantora'

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“Cansei de fazer gracinha”, canta Manu Gavassi na música de abertura de seu novo álbum (não por acaso, intitulado “Gracinha”). O disco está disponível nas plataformas digitais de áudio a partir de hoje. Todas as nove músicas foram compostas por Manu, num álbum que tem participações especiais de nomes como Tim Bernardes e Alice et Moi. Para ela, o trabalho é uma libertação de todas as críticas e amarras que a moldaram até aqui. A artista conta que, enquanto gravava a faixa de abertura, por exemplo, acabou caindo no choro.

— Quase desisti de ser cantora diversas vezes porque me convenci de que eu não era boa. Eu moldei minha carreira baseada em críticas e acreditei em todas elas. Na terceira vez em que fui gravar “Gracinha”, o Lucas (Silveira, produtor) disse para eu perder o controle. E eu falei: “Eu não perco o controle”. Isso foi um soco na minha cara, porque vi o quanto estava me limitando por medo. Esse desbloqueio me fez chorar.

A música, “Gracinha”, com um ar de jazz antigo, fala sobre o meio do entretenimento, sobre assumir personagens, sobre exposição e a necessidade de agradar. A artista diz que se deixou levar pelo processo de criação, pelas melodias e pelas letras que foram surgindo e soltou a voz sem medo.

— Durante esse processo (de construção do álbum) resolvi não me julgar e, pela primeira vez, em muitos anos, soltar a minha voz, que é um músculo que eu quase atrofiei sendo cantora, olha que boicote. Foi uma libertação — conta Manu.

Influenciada pela irmã, Catarina, a artista usou referências do pop francês na construção das músicas. Após tornar-se “obcecada” pelo gênero, convidou artistas franceses, como Alice et Moi e Thibaud Van Hooland, para participarem do disco. Apesar de se interessar pela estética, pela França e músicos de lá, Manu se diverte ao contar que não tem muita intimidade com a língua e a única frase falada por ela no álbum saiu de um desenho animado:

— Eu preciso aprender, tomar vergonha na minha cara (risos). Eu brinco e falo “omelette du fromage’, que eu aprendi no “O laboratório de Dexter”, mas é a única frase em francês que eu falo no álbum.


Muito além de ajudar com novas referências, Catarina tem papel fundamental na vida e na carreira da ex-BBB. De presente de aniversário, Manu Gavassi escreveu uma espécie de declaração de amor em forma de música para a irmã mais nova. Mesmo um pouco diferente das outras faixas de “Gracinha”, a cantora quis que entrasse no álbum e assim foi feito.

— A Catarina é meu maior suporte. Ela é a pessoa que eu choro quando estou insegura, que eu conto as minhas ideias, é a primeira pessoa que vai ouvir sempre os meus álbuns e ela é a maior “gavassier” que existe. É muito legal ter uma parceira e, por acaso, ela ser a minha irmã.

Em 2020, Manu Gavassi participou do BBB e, lá dentro, descobriu que o mundo estava vivendo em isolamento devido a pandemia do coronavírus. Quando saiu do confinamento, em abril, precisou encarar um novo e entender a configuração que a Covid-19 impôs. Na segunda música da coletânea, “Eu nunca fui tão sozinha assim”, Gavassi fala desse contexto de saída do programa e de quarentena e, em trecho, diz “pessoas de máscara sorriem para mim e eu nunca fui tão sozinha assim”.

— Ter descoberto isso (pandemia) daquela maneira (dentro do programa), foi um grande choque, foi um grande trauma, que eu lidei por meses. Eu não entendia como tinha chegado nesse ponto. E se chegou nesse ponto, por que as pessoas estão tão felizes em me ver gente? Eu acho que eu me fechei em muitos momentos para tentar entender tudo isso e tem muito disso nesse álbum. Ao mesmo tempo, eu estava extremamente grata com tudo que estava acontecendo comigo. Eu estou muito orgulhosa da minha trajetória no BBB, eu sou muito grata, mudou a minha vida, me abriu todas as portas que eu queria — explica Manu.

Álbum visual

Todo o processo de criação do álbum, que faz parte da trajetória de autoconhecimento de Manu Gavassi, fez com que a artista colocasse para a fora a criatividade, experiência e força adquirida ao longo de seus dez anos de carreira. A partir do dia 26 de novembro, “Gracinha” estará disponível como álbum visual no Disney +. O trabalho, que mistura música e cinema, foi idealizado, roteirizado e codirigido por Manu e contou com a produção da F/SIMAS, escritório que gerencia a carreira da artista e que também atua como produtora de conteúdo no mercado audiovisual.

— Eu trabalhei todos os dias desse ano. Porque eu tinha o propósito de juntar tudo o que eu aprendi a fazer, todas as minhas paixões e fazer um trabalho grandioso. Os últimos três anos foram muito importantes para mim, de crescimento contínuo, de entender quem eu quero ser e qual o legado que quero deixar. Lançar um álbum visual é pensar no legado, não é ser a febre do momento, nem ser amiga do algoritmo, é ir contra o movimento que está acontecendo (lançamento de singles e hits o tempo todo).

O álbum visual contou com a produção da F/SIMAS, escritório que gerencia a carreira da artista e que também atua como produtora de conteúdo no mercado audiovisual.

Período fora das redes sociais

Em agosto, Manu voltou para as redes sociais após ter passado nove meses longe do mundo digital. Ela conta que sentiu necessidade de se afastar porque começou a lidar com as redes de forma negativa, sentia pressão em agradar, em monitorar os comentários e definiu a situação como um “desespero”.

— Parecia que eu não podia acalmar, eu tinha que fazer, que produzir e isso vai na contramão de você fazer trabalhos memoráveis. Eu percebi que eu estava ficando muito medrosa com as redes sociais e que estava me fazendo muito mal, psicologicamente, com relação até com a minha aparência, eu percebi que eu estava caindo em ciladas — explica.

O começo do processo de detox contou com uma ajudinha do universo: o celular da cantora caiu no mar.

— Eu olhei ele afundando e eu pensei “graças a Deus”. Quando eu senti esse alívio, me desafiei a ficar um mês sem celular e isso me fez tão bem que eu extendi isso e fiz o processo inteiro (de criação do álbum) desconectada. Eu não tinha mais as minhas senhas.

Novos projetos

Em 2022, estreia na Netflix a série “Maldivas” com Manu no elenco. Além disso, ela conta que tem muitos projetos no coração e que espera ser responsável na hora de escolher as ideias para poder realizar e ser feliz.

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