Manuel Merino, o breve presidente do Peru

Luis Jaime CISNEROS
·3 minuto de leitura
Manuel Merino anuncia em Lima sua demissão da presidência peruana
Manuel Merino anuncia em Lima sua demissão da presidência peruana

Manuel Merino, presidente do Congresso que havia assumido na última terça-feira a presidência do Peru, após promover a destituição do popular Martín Vizcarra, renunciou neste domingo, em meio a protestos contra o novo chefe de Estado que resultaram em uma repressão que deixou dois mortos e uma centena de feridos.

Após uma chegada ao poder que surpreendeu os peruanos e agitou os mercados, Merino, de centro-direita, sentiu a pressão de cinco dias de protestos protagonizados por milhares de pessoas no país, principalmente jovens.

A repressão policial, que atingiu níveis desproporcionais contra manifestantes pacíficos, marcou a fogo a breve e polêmica gestão de Merino. A situação se tornou insustentável quando, na noite deste sábado, o novo chefe do Congresso, Luis Valdez, pediu na TV a renúncia imediata do novo presidente.

Valdez havia apoiado Merino no julgamento relâmpago contra Vizcarra e colocado a faixa presidencial no novo chefe de Estado na última terça-feira.

- Em segundo plano -

Após duas décadas em segundo plano, durante as quais foi representante no Congresso da região de Tumbes, a menor do Peru, Merino saiu do anonimato em setembro, ao promover um primeiro processo de destituição contra Vizcarra, que não prosperou. "É um momento muito difícil para o país, aqui não há nada a comemorar", afirmou esta semana em seu primeiro discurso como presidente, um dia após a destituição de seu antecessor.

Como chefe do Congresso, Merino era o primeiro na linha de sucessão do Peru, que não tem a figura do vice-presidente. O viés populista das leis econômicas que o Congresso aprovou sob a sua direção nos últimos meses, durante a pandemia, como autorizar o saque dos fundos de pensão e congelar dívidas com os bancos privados, despertou temor nos círculos financeiros.

Além do custo do julgamento político relâmpago de Vizcarra, que goza de alta popularidade, os protestos e os questionamentos sobre a sua legitimidade resultaram em um grande desafio para Merino. A composição do Congresso também complicou a solidez de seu governo, com quatro partidos populistas rivais dividindo o controle em uma aliança complexa.

- 'Da velha escola' -

Merino, 59, engenheiro agrônomo e pecuarista, foi eleito em março presidente do Congresso. Ganhou uma cadeira - com apenas 5.271 votos - nas eleições legislativas extraordinárias de janeiro, convocadas por Vizcarra após dissolver constitucionalmente o Congresso em setembro de 2019.

A eleição de Merino como presidente do Congresso foi promovida pela bancada do Ação Popular, partido do qual é membro há 41 anos e principal minoria na Câmara. Mas a oportunidade de fazer história acabou sendo apresentada a Merino, casado há 35 anos com a professora Jacqueline Peña, com quem tem três filhas.

Nascido em 20 de agosto de 1961, na região de Tumbes, Merino foi legislador entre 2001 e 2006, e de 2011 a 2016, antes de voltar ao Congresso. "É um típico cacique provinciano, um político discreto, eleito três vezes representante de Tumbes", diz o analista José Carlos Requena. "Não é do tipo que se destaca. Afiliado a apenas um partido durante toda a vida, é visto como um político tradicional, da velha escola."

ljc/fj/gma/lb