Manuel Merino, uma silenciosa carreira até a presidência peruana

Luis Jaime CISNEROS
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O presidente do Congresso peruano, Manuel Merino, fala durante sua cerimônia de posse como presidente interino do país, em Lima

Manuel Merino, uma silenciosa carreira até a presidência peruana

O presidente do Congresso peruano, Manuel Merino, fala durante sua cerimônia de posse como presidente interino do país, em Lima

Manuel Merino, o presidente do Congresso de centro-direita que assumiu a Presidência do Peru nesta terça-feira (10) - despertando os temores nos mercados - fez uma carreira política tranquila antes de chegar ao cargo.

Depois de duas décadas como representante perante o Congresso da região norte de Tumbes, Merino saiu do anonimato em setembro ao mover o primeiro processo de impeachment contra o presidente Martín Vizcarra, que não prosperou. 

"É um momento muito difícil para o país, não há o que comemorar aqui", disse nesta terça-feira em seu primeiro discurso como presidente, um dia após o efetivo afastamento de Vizcarra, que, por sua vez, fez um apelo contundente aos militares para respeitarem a Constituição. 

Merino foi o primeiro na linha sucessória peruana desde que, em 7 de maio, o Parlamento aceitou a renúncia da vice-presidente peruana, Mercedes Aráoz, que havia sido apresentada no cargo em meio a outra crise política em 1º de outubro de 2019. 

Ele agora deve completar o mandato de Vizcarra até 28 de julho de 2021.

Sua tarefa é gigantesca: administrar a pandemia do novo coronavírus - que devastou a saúde e a economia do Peru - e realizar as eleições presidenciais e legislativas em abril de 2021. 

O viés populista das leis econômicas que o Congresso aprovou sob sua liderança nos últimos meses durante a pandemia - como autorizar a retirada de fundos de pensão e congelar dívidas com bancos privados - deixa o meio financeiro apreensivo. 

Além disso, o custo do impeachment de Vizcarra, que tem grande popularidade apesar das acusações contra ele - com protestos nas ruas e denúncias de ilegalidade - é apresentado como um desafio ao governo de Merino. 

E a cartografia do Congresso levanta questões sobre a força do novo governo: quatro partidos populistas rivais compartilham o controle de uma aliança complexa.

Assim como Vizcarra, que assumiu a presidência em 23 de março de 2018, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, ex-banqueiro encurralado pelo Congresso por denúncias de corrupção, Merino chega ao poder quase como um desconhecido. 

Mais ainda, já que na época Vizcarra era vice-presidente do Peru e embaixador no Canadá.

Aos 59 anos, Merino, engenheiro agrícola e pecuário, foi um político em segundo plano até março, quando foi eleito presidente do Congresso. 

Ele voltou ao parlamento ao ganhar uma cadeira - com apenas 5.271 votos - nas eleições legislativas extraordinárias de janeiro convocadas por Vizcarra.

Sua eleição para a presidência do Congresso foi promovida pela bancada da Ação Popular, gurpo o qual faz parte há 41 anos.

Foi escolhido por ser um dos mais experientes entre os novos legisladores, em sua maioria estreantes nas grandes ligas da política peruana. 

No entanto, a oportunidade de fazer história finalmente se apresentou a Merino, que está casado há 35 anos com a professora Jacqueline Peña, com quem tem três filhas.

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