Inquérito aponta que Manuela D'Ávila conversou com o hacker por 9 dias, diz jornal

A defesa de Manuela D'Ávila entregou à PF diálogos entre ela e o hacker (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A ex-deputada havia dito que simplesmente passou o contato do jornalista Glenn Greenwald ao hacker

  • O hacker se mostrava mais proativo nas conversas, enquanto Manuela evitava falar muito

O principal suspeito de ser o hacker que invadiu os celulares de diversas autoridades do país, Walter Degatti Neto, conversou com a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) por nove dias – mesmo depois de ela passar para ele o contato do jornalista Glenn Greenwald. A informação, obtida pela coluna do jornalista Fausto Macedo no Estadão, contradiz a alegação da deputada de que o contato entre os dois foi uma breve troca de contatos.

As mensagens entre os dois aconteceram entre 12 e 20 de maio deste ano e foram entregues à Polícia Federal pela defesa da própria ex-candidata à vice-presidência da República. São 38 capturas de tela do celular de Manuela, em que Delgatti diz querer expor “oito Tera(bytes) de coisa errada”. O hacker alega que quer divulgar as mensagens entre os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, para “fazer justiça”.

Leia também

Ele diz que conseguiu o contato dela ao invadir o celular do senador Cid Gomes (PDT-CE). Manuela diz que Glenn Greenwald é a “melhor pessoa” para repassar o material, descrevendo o fundador do site The Intercept como o jornalista “mais capaz e com credibilidade mundial”. O hacker responde que não havia pensado nele antes, mas reconhece que essa foi “a melhor saída”.

Delgatti é quem inicia a conversa no dia seguinte à troca de contatos: “Acredita que está enviando sem parar desde ontem arquivos? E não foi nem 20% ainda?”, enviou. Com o passar do tempo, ele começa a revelar suas opiniões políticas:

“Dei sorte de chamar você. Eles iam privatizar tudo. O País ia falir. Tem todos os acordos prontos. Um golpe gigantesco ia ser concretizado.”

Ele também tenta criar intimidade com a ex-deputada, e responde com várias mensagens cada frase dita por Manuela. Em certo ponto, ele conta que o nome dela estava escrito com “O” no celular do senador Cid Gomes: “Vou te contar uma coisa. kkkkk. Cid errou seu nome”. Ela responde que a grafia incorreta é comum, e diz que com frequência é chamada de “Daniela”. Em outra conversa, Walter conta sobre o andamento da reportagem do The Intercept BR sobre as mensagens:

“Ele [Glenn Greenwald] ficou louco lá. Foi comprar computadores novos para os arquivos. Já fizeram não sei quem ir de BSB [Brasília] até eles”.

O hacker dizia, o tempo todo, que estava fora do Brasil. Manuela entrou em contato para perguntar se foi ele quem ligou para o ex-deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) pelo Telegram dela. Delgatti diz que foi um “equívoco” e se apressa em se explicar: “Liguei no dia hahahaha. Para tentar falar com ele. Aí quando falei com você eu saí e não liguei mais”

Após alguns dias de conversa, Walter Delgatti tenta ostentar suas ações dizendo as outras contas que hackeou. Ele fala sobre contatos ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e exibe documentos roubados do grupo de procuradores. Manuela demora a responder, e se limita a dizer que está trabalhando e, por isso, não consegue conversar muito. O hacker responde:

“Eu sei que estou falando bastante. Não sou assim, apenas estou empolgado em poder contar para alguém essas coisas. Estava tudo preso comigo há meses”.