Manuscrito da última parceria entre Tom Jobim e Chico Buarque é vendido por R$ 30 mil

Luccas Oliveira
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Um documento histórico da música popular brasileira foi leiloado nesta terça-feira e arrematado por R$ 30 mil reais, o lance inicial proposto pelo leilão. Trata-se do manuscrito original de "Piano na Mangueira", de 1992, samba que marcou a última parceria entre Tom Jobim e Chico Buarque.

— É uma preciosidade, uma peça única — comemora o leiloeiro Alberto Youle, cujo leilão contou com outras peças de colecionismo, entre elas cinco partituras de Pixinguinha, vendidas a R$ 4,5 mil. — Mas o Tom é o Tom, ainda mais junto com Chico Buarque. Vai levar outra geração de músicos até surgir alguém minimamente parecido com Tom Jobim.

Tom Jobim e Chico Buarque iniciaram uma parceria criativa em 1968, com "Retrato em branco e preto", que durou 24 anos e 13 canções. Na última, "Piano na Mangueira", o maestro que havia sido homenageado pela Estação Primeira de Mangueira na Sapucaí naquele ano de 1992 convidou o mangueirense Chico para fazer a letra da canção.

— Na época, eles estavam se preparando para fazer o desfile da Mangueira, foi uma música de certa forma encomendada pela escola, uma troca de agrados. Fazia parte do ritual de divulgação do desfile — explica o pesquisador Wagner Homem, que tem livros publicados tanto sobre a obra de Chico quanto de Tom.

A canção foi incluída no disco "Paratodos", de Chico Buarque, lançado em 1993. Chico e Tom gravaram juntos — o maestro deixou seu piano marcante e também sua voz no fonograma.