Manutenção de ar-condicionado deu início a incêndio na Cinemateca, diz Corpo de Bombeiros

·3 minuto de leitura
  • O incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, teve início durante a manutenção do sistema de ar-condicionado

  • Uma equipe terceirizada do governo federal fazia a manutenção do ar-condicionado

  • A capitã do Corpo de Bombeiros disse ainda que "provavalmente" o acervo deste andar foi totalmente perdido

O incêndio que atingiu o galpão onde fica guardado parte acervo da Cinemateca Brasileira, na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, teve início durante a manutenção do sistema de ar-condicionado, segundo o Corpo de Bombeiros (veja vídeo acima).

Segundo a capitã Karina Paula Moreira, que comanda a operação de combate ao fogo, o incêndio começou em uma das salas do acervo histórico do terceiro andar. Uma equipe terceirizada do governo federal fazia a manutenção do ar-condicionado.

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“Essa parte do andar é dividida em três salas, sendo duas de filmes de 1920 e 1940, e uma parte de arquivos impressos e documentos históricos. Essas três salas foram atingidas pelo fogo. Nós estamos levantando o que foi queimado e o que foi preservado", afirmou ela. 

A capitã do Corpo de Bombeiros disse ainda que "provavelmente" o acervo deste andar foi totalmente perdido. Segundo ela, o térreo do galpão foi o lugar menos atingido.

"Provavelmente, não foi preservado nada nessas salas, porém, no térreo tem uma parte grande do acervo histórico que não foi atingida”, explicou.

Risco de incêncio desde julho de 2020

Assim como as chamas que destruiram o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, o incêndio no galpão da Cinemateca foi uma tragédia anunciada.

Em julho de 2020, o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) já alertava sobre os riscos de incêndio. Na época, o órgão entrou com uma ação na Justiça contra a União por abandono da Cinemateca Brasileira. A promotoria questiona a falta de contrato para gestão da instituição.

"Tal urgência é por demais agravada diante da comprovada aceleração da degradação do acervo e do perigo real de incêndio (seria o quinto incêndio na história da Cinemateca, ou seja, um evento bastante previsível)", afirmava o documento.

Firefighters work to put out fire at the Cinemateca Brasileira, an institution responsible for preserving audiovisual production, in Sao Paulo, Brazil July 29, 2021. REUTERS/Carla Carniel
A capitã do Corpo de Bombeiros disse ainda que "provavalmente" o acervo deste andar foi totalmente perdido (Foto: REUTERS/Carla Carniel)

O contrato para gestão da Cinemateca firmado entre o governo federal e a Organização Social (OS) Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) terminou no dia 31 de dezembro de 2019 e, desde então, não houve nova licitação.

Incêndio na Cinemateca Brasileira

O incêndio começou no início da noite de quinta-feira (29). O galpão, localizado na Rua Othão, 290, possuia materiais altamente inflamáveis, como arquivos de filmes, que tem acetato altamente inflamável. Cerca de 60 bombeiros faziam o combate às chamas. 

De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, o fogo foi controlado por volta das 20h. Não existe, portanto, chance de as chamas atingirem o restante da estrutura do prédio, que soma um total de 9 mil metros quadrados. Não houve feridos.

"Sobre o incêndio na Cinemateca, informamos que abrimos um procedimento de fiscalização com intuito de confirmação dos dados no sistema e aplicação das medidas contra incêndios, faremos uma vistoria de fiscalização no local", afirmou a corporação na manhã desta sexta-feira (30).

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