Manutenção de Museu Nacional custa 25% do valor de um único deputado federal

(Tania Rego /Agencia Brasil)

Incendiado durante a madrugada desta segunda-feira (3), o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio de Janeiro, sofria com problemas de manutenção. Subordinado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na teoria, o museu custa R$ 520 mil anuais aos cofres públicos — no entanto, desde 2014 não recebia o valor integral dedicado ao palacete bicentenário.

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Dez das trinta salas de exposição estavam fechadas por problemas internos; uma delas foi interditada há cinco meses por ataques de cupins, o que motivou o museu a tentar reabri-la por meio de financiamento coletivo.

Em decadência, o edifício tombado que foi morada da família imperial no país apresentava paredes descascadas e fiação à mostra. Com entrada a R$ 8, também enfrentava dificuldades de arrecadação com a queda na quantidade de visitantes. Estima-se que nem mesmo 1% do acervo estava exposto.

Se, por um lado, a instituição sob cuidados do governo federal recebia pouco menos que meio milhão de reais para manutenção, por outro a União gasta cerca de R$ 2,14 milhões por ano com cada deputado. Os benefícios incluem, além do salário de mais de R$ 33 mil, auxílio moradia, verba de gabinete, gastos com alimentação, deslocamento e ajuda de custos. Ao todo, os 513 deputados federais custam R$ 1,1 bilhão por ano.

Para celebrar os 200 anos do museu, completados em junho deste ano, a instituição fechou um acordo com o BNDES para receber R$ 21,7 milhões voltados para atividades de restauração.

O diretor do museu, Alexander Kellner, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o local necessitava de ao menos R$ 300 milhões — valor que poderia ser investido ao longo uma década. Ele também ressaltou que o último presidente a visitar o museu foi Juscelino Kubitschek (1956-1961) e que vinha tentando uma audiência com a Presidência da República para discutir projetos e expansão da instituição.