Mapa Corona nas Periferias dá visibilidade a ações de combate à pandemia em comunidades

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RIO - Para dar visibilidade a inciativas de solidariedade que estão acontecendo dentro de comunidades carentes, o movimento Favela em Pauta, em parceria com o Instituto Marielle Franco e o Twitter, lançou no fim de abril o Mapa Corona nas Periferias. Agora, já são mais de 500 ações cadastradas, espalhadas por todos os estados, que visam a minimizar o impacto da pandemia do novo coronavírus na parcela mais vulnerável da sociedade.

A jornalista Daiene Mendes, do Favela em Pauta, explica que a ideia é mostrar a mobilização que está acontecendo dentro das comunidades e, dessa forma, construir uma ponte com quem está fora e deseja ajudar.

— A gente percebeu que muita gente queria ajudar, e que já tinha muita gente atuando nas suas comunidades — conta Daiene. — Então, decidimos criar o projeto, que por um lado mapeia as iniciativas de solidariedade nas periferias do Brasil e, por outro, conecta quem quer doar.

Entre os projetos mapeados está o Frente CDD, um “gabinete de crise” que reúne várias lideranças comunitárias na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, no combate à pandemia de coronavírus. O grupo é composto por cerca de 50 pessoas, todas com forte ligação com a comunidade.

— A Frente surgiu logo após o primeiro caso de coronavírus na Cidade de Deus — conta o gestor público Salvino Oliveira, um dos integrantes da iniciativa. — No início, a ideia era difundir informações sobre como se proteger, mas percebemos que o desafio era muito maior. Muitos moradores não têm sequer acesso a água.

Preocupados com a situação dos moradores mais vulneráveis, a Frente lançou campanha de arrecadação de doações para a distribuição de cestas básicas e kits de higiene e limpeza. Até agora, foi possível ajudar cerca de 7 mil famílias.

Legitimidade para o projeto

Para Oliveira, não é possível mensurar de maneira objetiva o papel do Mapa Corona nas Periferias, pois as doações chegam por diversos canais. Na sua opinião, o mapeamento ajuda porque facilita o contato com empresas e dá legitimidade ao trabalho, o que facilita a chegada de doações.

Além disso, o mapa permite que pessoas descubram iniciativas em comunidades menos conhecidas. A Cidade de Deus está bastante presente no imaginário nacional graças ao filme dirigido pela dupla Fernando Meirelles e Kátia Lund. Outras comunidades, como Rocinha e Complexo do Alemão também têm sua fama.

— Mas existem outros lugares não midiatizados, que também precisam das ações de solidariedade — diz Daiene.

A líder comunitária Kelly Martins é uma das ativistas que têm dedicado todo o seu tempo para salvar vidas. Ex-moradora da Pereira da Silva, mais conhecida como Pereirão, em Laranjeiras, ela se juntou a lideranças do Fallet e do Fogueteiro para arrecadar doações e distribuir para as famílias mais necessitadas.

Ajuda para locais menos conhecidos

Sem o apelo da mídia, ela conta com a ajuda dos moradores da rua, no bairro de classe média, que deixam doações em caixas na calçada. Sem apoio de órgãos do governo, o grupo já distribuiu mais de 1,5 mil cestas básicas, entregues de porta em porta nas casas das famílias mais necessitadas, cadastradas previamente.

Para Kelly, o Mapa Corona nas Periferias tem sido um canal importante para a chegada de doações, que já vieram, inclusive, de outros países.

— Foi pelo Mapa que vocês me encontraram — brinca Kelly. — Vira e mexe alguém liga dizendo que viu meu contato no Mapa e que quer ajudar.

Iniciativas que desejem se cadastrar no Mapa Corona nas Periferias podem acessar o site do Instituto Marielle Franco e clicar no botão “Cadastre uma ação”. Após o preenchimento do cadastro, as informações são checadas pela equipe do Favela em Pauta. Se aprovado, o projeto passa a ser exibido como um ponto no mapa.

— Num cenário em que o Estado não tem a habilidade de governar para quem realmente precisa, é preciso que a sociedade civil se mobilize para que pessoas não morram de fome. Afinal, é disso que estamos falando, existe uma demanda real por comida nas favelas — diz Daiene. — Nesses momentos de crise, quem se torna o principal grupo de risco no Brasil é o pobre. Pela falta de testes, pela falta de saneamento, pela falta de atendimento, simplesmente pela falta. A mensagem que eu deixo para quem quer ajudar é: procure fazer parte, procure o que está acontecendo e se junte ao movimento, que tem espaço para todo mundo.

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