Maquiagem usada: nova onda no Japão é perigosa para a saúde?

A female contemporary artist dressing up in colorful fashion

Por Ava Freitas

Conhecidos por uma certa obsessão por limpeza, os japoneses têm aberto uma exceção quando se trata de maquiagem. Jovens da geração Millenial – com idade entre 21 e 34 anos – têm alimentado um mercado singular: o da compra de produtos de make de luxo usados. Seria esse novo hábito de consumo prejudicial à saúde?

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Para a dermatologista Juliana Toma, graduada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pós-graduada em oncologia cutânea pelo Hospital Sírio Libanês, há riscos sim.

"Na minha opinião, o batom seria um dos itens mais problemáticos, por causa da possibilidade de se contrair herpes labial", afirma Juliana. A infecção viral é caracterizada pelo surgimento de bolhas pequenas e doloridas, agrupadas no formato de cacho de uva, nos lábios superiores e inferiores, gengivas, língua, céu da boca, no interior das bochechas, nariz e, às vezes, no rosto, queixo e pescoço.

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É verdade que o micro-organismo causador do herpes labial só sobrevive por poucas horas fora do corpo, mas para quê brincar com a própria sorte, não é mesmo? Ainda de acordo com a dermatologista, as máscaras de cílios seriam outra categoria de produto a oferecer riscos. No caso desse item, o problema seria a possibilidade de contrair conjuntivite (inflamação ou infecção da membrana externa do globo ocular e da pálpebra interior).

Prazo de validade

Cuidados ao comprar maquiagem usada (Foto: Getty Images)

Marika Sakamoto, moradora de Tóquio de 28 anos, contou ao site americano 'The Bussiness of Fashion' (Bof)’ que quando compra produtos usados de maquiagem, olha cuidadosamente a data de validade dos itens e questiona quantas vezes eles foram usados pelo comprador original.

A preocupação de Marika faz todo o sentido, segundo a dermatologista Juliana Toma. O tempo de duração de um item de maquiagem é bastante variável – de seis meses a três anos – e depende de sua composição. Estar fora dessa garantia pode, na melhor das hipóteses, só significar perda de qualidade e eficiência. Na pior, faz com que ele deixe de ser seguro para a saúde. Também de acordo com a dermatologista, ainda que o produto tenha sido utilizado apenas uma vez – o que você teria de confiar na palavra do vendedor –, o risco para a saúde permanece.

Conhecidos?

Lave bem as peças Foto: (Getty Images)

Você deve estar pensando: "Se eu comprar de pessoas conhecidas, e o produto estiver dentro do prazo de validade, posso ficar tranquila". Infelizmente, não é bem assim. Retomando o exemplo da herpes labial, o vírus da doença pode sobreviver vários anos no organismo da pessoa sem que ela tenha nenhuma lesão. Apesar de a transmissão acontecer, geralmente, quando o indivíduo apresenta lesões ativas, a pessoa assintomática também pode passar a infecção adiante.

Se mesmo com todos esses alertas, você ainda achar que vale correr o risco para ter aquele produto sonho, fique atenta a mais essa recomendação de Juliana Toma: higienizar os pincéis, as esponjinhas e demais aplicadores de make. "Nossa pele é cheia de células mortas, micro-organismos e bactérias e, às vezes, quando a gente utiliza esses objetos, eles ficam lá acumulados com o tempo."

Portanto, higienize, semanalmente, seus aplicadores. A limpeza pode ser feita tanto com produtos específicos para esse fim como com shampoo neutro, como os de bebê. A dica vale não só para itens usados que você venha a comprar como para os novos. "Gastamos tanto dinheiro com produtos para limpar a pele, remover a maquiagem… Não faz sentido, então, trazer sujeira para seu rosto por negligenciar esse cuidado", finaliza a dermatologista.