Marília Mendonça: a dor dos fãs que arriscam até o emprego para se despedir da cantora

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GOIÂNIA — Na manhã deste sábado, horas antes do início do velório da cantora Marília Mendonça, morta em um acidente aéreo nesta sexta-feira, muitos fãs, com diversas histórias, faziam fla para garantir o momento do último adeus à cantora. O velório irá acontecer em Goiânia a partir das 13 horas deste sábado.

Ilma Nascimento, de 48 anos, era uma das primeiras. Natural do Maranhão, ela agora vive em Goiânia e, com uma bandeira do Brasil, espera sua vez para se despedir do artista, um dos maiores ícones da música sertaneja. Ela afirma que parte do sucesso do restaurante que tinha em seu estado natal se deve à cantora, pois ela deixava sua música "tocando 24 horas, direto", e isso atraía clientes.

— Não sei se vou perder o emprego, nem avisei que não vou hoje, mas se perder o emprego não tem problema não — disse ela, que trabalha em serviços gerais em uma churrascaria na capital de Goiás. — Eu estou triste demais , amo ela, desde ontem estou chorando sem parar. Ela fez parte da minha vida, do comecinho da música dela até hoje.

A garota Maria Alice, de 10 anos, acordou a mãe, Maria da Conceição, de 35 anos, às 4h, para que elas fossem ao velório. Muito fã, a estudante convenceu a mãe a dirigir uma hora até o local do velório.

— Até as crianças se contagiam da energia boa que elas passavam. Maria Alice disse que é pra gente esperar o tempo que precisar, viemos com comida e tudo — disse a mãe da menina.

Talita, de 18 anos, estudante, e Marcos Aurélio, de 18 anos, funcionário público, ficaram incrédulos com a notícia. Sem conseguir segurar o choro, a dupla estava contando com a volta dos shows, suspensos por causa da pandemia, para reencontrar a cantora.

— Isso afeta de uma forma gigantesca todos nós que somos fãs. A princípio ela estaria bem, foi a primeira informação divulgada, e quando confirmaram a morte isso abalou muito a gente — disse Marcos Aurélio.

— Mesmo sem ter vínculo com ela, a gente era próximo dela, ela estava nas nossas casas. A gente sente. Sempre que se reunia com nossos amigos a gente tinha que escutá-la. A gente vai sofrer agora não pelas músicas, mas pela falta da presença dela aqui com a gente, é muito doloroso, parece que tirou um pedacinho da gente, como se fosse uma irmã. Qualquer possibilidade de homenagear ela, pro filho dela crescer e ver a grande mulher que ela era, incrível, eu vou poder fazer. Quando ele tiver grande ele vai ver como a mãe dele era tão amada por todo o Brasil — disse Talita.

Julianne, corretora de imóveis de Goianésia (GO), que fica a 160 quilômetros da capital do estado, afirma que estava em choque desde que soube da morte da cantora. Ela acordou às 2h e não conseguia dormir mais, começou a enviar mensagens para os amigos para encontrar parceiros para a viagem de três horas de carro para chegar ao velório de Marília Mendonça.

— Eu preciso me despedir da nossa rainha, eu ouvia música dela o dia inteiro, eu e minha vizinha. Marília era do povão, eu sou goiana, ela era humilde e simples demais, representava muito das mulheres, dando força para a classe feminina, ela é uma mulher que mereceu tudo o que conquistou até hoje e é um exemplo para todas nós.

André Barbosa, de 28 anos, e Betânia, do lar, foram juntos ao velório. Chamando a cantora por rainha, ambos não escondiam a tristeza e chegaram antes das 7h, mesmo sabendo que o velório ao público só deverá ser aberto por volta das 13h.

— A gente veio cedo para prestigiar desde o começo, receber ela aqui. A Marília Mendonça era gente da gente, muito humilde, é muito complicado falar porque o choque foi muito grande, a gente tá tentando se acostumar com essa notícia e o fato de estar aqui também tem isso, ver (o corpo) com nossos próprios olhos para ver se a gente acredita. Está muito, muito difícil — disse Barbosa.

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